quinta-feira, 12 de julho de 2018

A cotegipense Mariluci Coltro é destaque
em jornal de Jaraguá do Sul

A cotegipense Mariluci Coltro, que é cirurgiã dentista em Jaraguá do Sul

De vez em quando, a internet nos brinda com a satisfação de encontrar velhos amigos, ou amigas, que há muito, por um motivo ou outro, saíram das novas vidas.

Desta vez, tive o prazer de receber notícias sobre uma velha amiga de infância e escola, a Mariluci Coltro. Eu sabia que ela morava em Jaraguá do Sul, mas não tinha mais informações além disso, até que o jornal O Correio do Povo (OCP), de Jaraguá do Sul, publicou esta bela matéria sobre ela.  O destaque profissional de Mariluci é mais um caso de sucesso das mulheres cotegipenses.

Leia a reportagem na íntegra
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25 motivos para sorrir: Mariluci encontrou um lugar para prosperar em Jaraguá do Sul

Por Verônica Lemus
Fotos de Eduardo Montecino/ OCP News
  
















Mariluci em família, ao lado dos filhos César (E) e Mateus (D), acompanhada do esposo, Jorge 

Durante o mês de julho, 25 pessoas vão ilustrar  a campanha “Temos 25 motivos para sorrir”, que o Grupo Breithaupt está desenvolvendo em parceria com a Rede OCP News e a 105 FM. O objetivo da série é contar as histórias de pessoas que compartilham o mesmo dia de aniversário com Jaraguá do Sul: 25 de julho. Confira!

O jeito doce e ao mesmo tempo entusiasta de Mariluci Coltro pode, em um rápido olhar, deixar passar despercebido a força e perseverança desta gaúcha de 55 anos.

Nascida em Barão de Cotegipe, cidadezinha de seis mil habitantes da região do Alto Uruguai, no Rio Grande do Sul, a cirurgiã dentista e mãe acabou encontrando em Jaraguá do Sul uma cidade para prosperar e criar os filhos.

Formada em Odontologia em Santa Maria (RS), em 1988, Mariluci veio à Jaraguá do Sul no ano seguinte, aos 27 anos, em busca de um mercado para sua profissão.

Em seu consultório, no centro da cidade, a profissional lembra que no início da carreira em Jaraguá do Sul o cenário da odontologia era bastante diferente, assim como a própria cidade.

     “Jaraguá do Sul era uma cidade com duas ruas maiores, algumas outras periféricas e tudo acontecia naquele espaço”, relembra.

Aos poucos, Mariluci viu a cidade crescer, assim como buscou acompanhar essa mudança, que a exigiu cada vez mais que se especializasse e se renovasse como profissional.

Em busca de especialização

Depois do curso superior em Odontologia, Mariluci partiu para outras especializações, tornando-se cirurgiã dentista e especialista em implantodontia.

“Na faculdade as pessoas diziam ‘ah tu vai fazer o que, pediatria?’, porque mulher [ligavam à] pediatria, ou ortodontia, e daí eu dizia, ‘não, eu vou fazer cirurgia’, difícil, a corajosa”, brinca.

Mas seu interesse por fazer “coisas diferentes”, ainda quando criança, acabou lhe revelando também outras possibilidades na profissão.

Desde pequena, Mariluci pintava, fazia modelagens e esculturas, sempre ligada à área artística.  Essa habilidade estética acabou norteando sua carreira para a área da estética dental e há cerca de dois anos se especializou em harmonização orofacial.

Hoje, Mariluci se considera uma profissional de sucesso, realizada na profissão, que a permite também trabalhar com o lado humano dos seus pacientes. “Amo o que eu faço”, declara-se.

Mulher e mãe forte

Mas os desafios de Mariluci foram, e continuam indo, muito além da profissão. Por volta dos 30 anos, a odontóloga se viu em um momento difícil de sua vida, ao lado do filho mais velho, Mateus, de 25 anos, que na época tinha cerca de quatro anos, conta.

Para Mariluci, a família é a base de tudo, e essa é a educação e mensagem que quer deixar para os filhos


Para ela, Jaraguá do Sul é uma cidade que “aceita” as mudanças de fases que cada pessoa passa pela vida, mas também é uma cidade que exige e cobra de cada um.

“Nós temos que ser fortes aqui em Jaraguá, eu vejo que tive que ser forte, tive que trabalhar muito, chegava no consultório 7h da manhã e saía 21h, trabalhava muito porque a mulher jaraguaense trabalha muito, e tem filhos e tem casa, e dá conta, e eu também tive que dar conta”, relata.

Mariluci chegou a pensar em deixar a cidade, mas a tranquilidade, os valores e oportunidades de Jaraguá do Sul pesaram em sua decisão. “Era mais importante que meu filho tivesse segurança, que tivesse uma boa educação”, diz ela.

Também vinda de uma cidade pequena, de uma colônia italiana-polonesa, foi justamente essa atmosfera e cultura de cidade provinciana que Mariluci diz ter encontrado em Jaraguá do Sul.

“Eu sou de uma cidade bem pequenininha e Jaraguá do Sul me acolheu dessa forma, como uma cidade pequena, mas ela era promissora, eu vim por ser promissora, uma cidade de pessoas que trabalham, que tem aquela coisa da honestidade, do trabalho, e isso foi muito bom para mim, para eu educar meus filhos”.

Além de Mateus, que cursa Medicina em Curitiba, Mariluci tem o caçula Carlos, de 11 anos, com o marido Jorge Vasconcelos, com quem é casada há 15 anos.
Para a odontóloga, ao mesmo tempo em que a cidade consegue acompanhar a evolução do mundo e hoje oferta aos jovens novas possibilidades – são diversas faculdades no município, por exemplo, observa Mariluci -, Jaraguá do Sul ainda consegue manter as tradições, principalmente na valorização dos laços familiares.

Para ela, a família é a base de tudo e essa é a mensagem e educação que Mariluci busca passar para seus filhos.


sexta-feira, 6 de julho de 2018

Sesc Erechim oferece série de atividades para as crianças nas férias de inverno


Atividade no Sesc Erechim
É uma boa oportunidade para a criançada se divertir fora de casa com segurança e qualidade. Quem deseja que seus pequenos pratiquem atividades durante o recesso já pode realizar as inscrições para o projeto Brincando nas Férias de Inverno Sesc em Erechim. As atividades acontecem de 16 a 27 de julho, no Sesc (Rua Portugal, 490), das 13h30 às 17h30. A atividade é direcionada a crianças de 6 a 12 anos e as inscrições podem ser feitas por semana, de acordo com as vagas disponíveis. 
Mais informações sobre os serviços podem ser obtidas pelo telefone (54) 3522-1309, no site www.sesc-rs.com.br/erechim e na página www.facebook.com/sescerechim. 

As inscrições devem ser feitas no Sesc local, com os valores de R$ 45 a R$ 70 por semana. O valor inclui atividades como brincadeiras de roda, jogos pedagógicos, gincana, atividades recreativas, Contação de Histórias, circuito de atividades motoras, Oficina de Dança, Brinquedos Infláveis e sessões de cinema.

Sobre o Sesc/RS – Com sete décadas de atuação no Brasil e no Rio Grande do Sul, a Instituição pertencente ao Sistema Fecomércio-RS realiza ações em 100% dos municípios gaúchos, promovendo o bem-estar social de trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo e de toda a comunidade. Todas as 497 cidades gaúchas recebem atividades sistemáticas em áreas como a saúde, esporte, lazer, cultura, cidadania, turismo e educação. Atualmente, a estrutura da Instituição conta com 43 Unidades Operacionais Sesc e 21 Unidades Sesc/Senac. Saiba mais em www.sesc-rs.com.br.

Brincando nas Férias de Inverno Sesc – Erechim
Data: 16 a 27 de julho
Inscrições Sesc Erechim (Rua Portugal, 490)
Valores (por semana): 
R$ 45 para categoria Comércio e Serviços do Cartão Sesc/Senac
R$ 55 para categoria Empresários do Cartão Sesc/Senac
R$ 70 para público em geral
Semanas:
16 a 20/07 - 1º semana
23 a 27/07 - 2º semana

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Para quem não sabe o que eram os fabriqueiros



A nova geração talvez não saiba, mas existia um grupo de pessoas da comunidade que ajudava a igreja em diversos serviços e eventos, principalmente na organização das festas das Capelinhas. 

Meu pai era um dos "fabriqueiros" e, muitas vezes eu ia junto com ele e outros fabriqueiros, a bordo de um velho caminhão, buscar bambus que eram usados nos enfeites das ruas da cidade, ou lenha para o grande churrasco que era servido na festa, entre outras atividades. 

Os fabriqueiros faziam o churrasco, arrumavam o salão paroquial, a igreja e assim por diante. Era um trabalho voluntário que resultava em uma grande festa. Eram eles também que faziam a manutenção da antiga usina que fornecia energia elétrica para Cotegipe.

Veja a origem deste nome na pesquisa feita pelo Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta (https://emigrazioneveneta.blogspot.com/2018/06/fabriqueiros-o-que-sao-e-quais-as-suas.html)


Fabbricceria é um termo criado para definir a entidade que provê a conservação e a manutenção dos bens sacros de capelas ou das igrejas. Deriva do termo latino fabbrica no sentido de lugar de trabalho.


Fabriccieri, ou o termo aportuguesado fabriqueiros, define os membros de uma comunidade paroquial, eleitos entre os cidadãos mais respeitáveis do lugar, quase sempre com o aval do pároco, para cuidar e fazer a manutenção temporal dos bens da capela ou da igreja, fazer o devido inventário dos mesmos, contabilizar as arrecadações e doações que forem destinadas à igreja, além de organizarem as festas da paróquia.


As atribuições dos fabriqueiros variavam conforme a época e o local que avaliamos. Devido as responsabilidades do cargo o prestigio desses homens aumentava muito, transformando-os em incontestáveis lideranças.


Na época da emigração italiana no Rio Grande do Sul, especialmente nos primeiros anos, quando havia uma grande falta de sacerdotes, podiam substituir um padre na condução dos ritos básicos como as novenas e o batismo.

Eles desempenharam um papel de relevância importância para a manutenção da religião e no desenvolvimento das novas comunidades.


domingo, 24 de junho de 2018

Fotos noturnas feitas por piloto de avião mostram traçado urbano de Erechim e Cotegipe

Imagem noturna mostra o traçado urbano de Erechim, inspirado
 em Paris e Washington

Na madrugada deste sábado (23 de junho), o piloto erechinense Mauro Piazza realizava o trajeto Córdoba (Argentina) Rio de Janeiro. Quando estava sobrevoando Erechim, sua terra natal, resolveu fotografar da cabine do avião.
Com céu limpo, o que é raro nessa época do ano (inverno) foi possível ver o traçado de Erechim, com sua planta urbana planejada, inspirada nas capitais francesa e americana, respectivamente Paris e Washington. Erechim foi projetada por Torres Gonçalves baseado nos ideais positivistas do francês Augusto Comte.  
De acordo com o site da prefeitura de Erechim o centro urbano na forma de um círculo, cortado por duas diagonais, evidencia o conceito urbanístico “xadrez com diagonais”, que lhe confere a mística de urbe diferenciada, pensada por urbanista seguidor da doutrina positivista, que vê o homem no centro de tudo, notadamente do meio onde ele vive. Da rótula central nascem dez grandes avenidas que se estendem aos bairros mais distantes.

Na foto feita por Piazza, é possível Erechim, e ao lado as luzes de
 Barão de Cotegipe

O Comandante Piazza, mesmo das alturas pode “matar” a saudade da terra natal com essas belas imagens, onde é possível identificar a Praça da Bandeira, o Parque Longines Malinowski, e também o município de Barão de Cotegipe.
No momento que passava por Erechim, exclamou: “sobrevoando a cidade mais bonita do Rio Grande”.
Reportagem publicada originalmente no Jornal Bom Dia, de Erechim,por Rodrigo Finardi 

segunda-feira, 28 de maio de 2018

As missas nas capelas do interior

Conheça um pouco mais sobre a colonização da nossa região na pesquisa desenvolvida pelo doutor Luiz Carlos Piazzetta. O texto faz parte do livro "Memórias de um Médico no Interior Gaúcho", que será lançado em breve.



Em cada comunidade existia sempre uma capela, maior ou menor, conforme o número de famílias moradoras no lugar. A capela administrava  também o cemitério da localidade e uma cancha de bochas, a qual, muitas vezes, podia ter um pequeno bar, que funcionava nos sábados à tarde, aos domingos e em alguns lugares em dias feriados.

As capelas eram administradas por uma diretoria, eleita por um ano, que mantinha estreito contato com a paróquia, esta na sede do município.

A cada ano o padre visitava esporadicamente cada capela onde rezava missa pelo menos uma vez ao ano, sempre no dia do santo a quem a capela estava dedicada. Ele podia também retornar em ocasiões especiais como batizados, crisma e ainda, quando disponível, por motivo de algum falecimento de associados.

Nos domingos, sempre que o padre não vinha, a comunidade realizava um encontro religioso no qual algum dos moradores, aquele com mais conhecimento dos ritos católicos, “pregava la corona”, isto é, rezava o terço, juntamente com todos os presentes.

No dia anterior às festas do padroeiro, a capela era o centro de intensa atividade, onde vários grupos de associados, todos voluntários, trabalhavam preparando as refeições a serem servidas no almoço do dia seguinte.

Na manhã da festa, os moradores chegavam em diversos meios de transporte, alguns de vários quilômetros de distancia, e começavam a se concentrar próximos à capela. Alguns aproveitavam a oportunidade para fazer uma visita ao cemitério, ao túmulo dos seus familiares já falecidos. Terminada a breve visita, voltavam a reunir-se com os outros que estavam descansando à sombra de grossas árvores,  esperando pela chegada do padre. Este vinha da sede do município, sempre dirigindo a sua velha caminhonete Rural Willys. Geralmente a missa estava marcada para as onze horas e  terminava por volta do meio-dia, quando então seria servido um grande almoço coletivo. Este geralmente consistia de um grande churrasco, adquirido mediante o pagamento e retirada de uma ficha no caixa da capela. A carne e os mantimentos para confecção dos pratos eram quase todos doados pelos associados e o total da renda obtida revertida para a capela.



Quando a caminhonete do padre era então avistada ao longe, ainda na estrada em cima do morro, começavam a tocar o pequeno sino do campanário, construção também em madeira, tal qual o prédio da própria capela.
Os fiéis ordenadamente começavam a entrar no pequeno templo, já se separando os homens das mulheres, logo ali na entrada, mantendo-se assim para tomarem os seus bancos para sentar.

Em ambos os lados do altar ficavam as imagens de dois grandes anjos alados, os quais seguravam cada um uma vela.  À frente de cada anjo ficava uma fileira de bancos. O anjo da esquerda era de cor azul e o da direita cor de rosa. Os homens se sentavam nos bancos frente ao anjo azul e as mulheres e crianças frente aquele cor de rosa.
Os bancos eram aproximadamente em número de vinte, variando muito conforme o comprimento da capela.
Esta interessante separação por sexo, para assistir as missas, ainda se podia ver no decorrer dos anos noventa.

Naquela época as missas sempre eram rezadas em português e durava por volta de uma hora, ou pouco mais, conforme a inspiração do padre. Durante o sermão muitas vezes conforme era a etnia de proveniência do padre, ou ainda conforme a predominância étnica dos fiéis daquela determinada capela, este poderia falar em italiano – na realidade sempre era em talian, o dialeto vêneto-brasileiro, língua criada no Rio Grande do Sul pelos imigrantes. Em outros lugares o sermão poderia ser em polonês, já que esta etnia também era muito presente em Barão de Cotegipe e alguns municípios vizinhos,

Cada capela tinha orgulho de organizar e manter um pequeno coral, que acompanhava o padre durante o desenrolar da missa. Esses corais se rivalizavam com os de outras localidades. Era sempre formado por homens e mulheres da localidade, orientados e regidos por um deles, que tinha mais conhecimento de música. Muitas vezes acrescentavam um violão e mais frequentemente um acordeão.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Cultura: Erechim recebe espetáculo inspirado em obra de Michel Foucault


Apresentação da peça "P’S", da Trapiá Cia Teatral (RN), tem entrada gratuita e acontece no dia 26 de maio 
 
Circuito Nacional Palco Giratório Sesc chega a Erechim no dia 26 de maio (sábado). A partir das 19h, no Centro Cultural 25 de Julho (Rua Gaurama 210), a Trapiá Cia Teatral (RN) apresenta o espetáculo “P’S”, inspirado em “Eu, Pierre Rivière, que degolei minha mãe, minha irmã e meu irmão”, de Michel Foucault. Os ingressos serão distribuídos gratuitamente, no Sesc Erechim (Rua Portugal, 490). Sugere-se a doação de 1kg de alimento não-perecível, que será destinado às entidades sociais cadastradas no Programa Mesa Brasil Sesc. Mais informações estão disponíveis no telefone (54) 3522-1309 ou no site www.sesc-rs.com.br/erechim/.

De autoria do dramaturgo catarinense Gregoy Haertel, a peça se inspira no caso real descrito e analisado por Foucault sobre um parricídio acontecido na primeira metade do século XIX. Porém, o autor traz a trama para uma vila do Sertão Nordestino. É lá que somos apresentados à história de P, um jovem que assassina brutalmente alguns de seus familiares. Focado nas incongruências que definem a natureza humana, a obra busca proporcionar uma reflexão a partir do espelho metafórico que é colocado no palco. O expectador, de alguma forma, é exposto às potencialidades que todos nós, em menor ou maior grau, somos capazes. A classificação etária do espetáculo é 14 anos.


21º Circuito Nacional Palco Giratório se configura em uma edição especial, com destaque para o Circo, prestando homenagem ao Palhaço Biribinha (AL), que neste ano comemora 60 anos de carreira e tem um histórico de engajamento e resistência para com as artes circenses no Brasil. Em todas as cidades que irão receber as atrações, será montada uma lona de circo, que irá permanecer durante 20 dias, funcionando como ponto de encontro para apresentações de grupos circenses locais, ações formativas, palestras e números. O Palco Giratório tem como objetivo a difusão das artes cênicas e também contribuir para a formação de plateias, a partir da circulação de espetáculos de gêneros variados. O projeto também abrange atividades formativas e que proporcionam o intercâmbio entre os próprios artistas de diversos estados, assim como, com o seu público. Confira mais informações em www.sesc.com.br/portal/site/palcogiratorio.

Circuito Nacional Palco Giratório Sesc apresenta “P’S”
Trapiá Cia Teatral (RN)

Data: 26 de maio (sábado)
Horário: 19h
Local: Centro Cultural 25 de Julho (Rua Gaurama, 210)
Classificação indicativa: 14 anos
Ingressos: Distribuídos gratuitamente no Sesc Erechim (Rua Portugal, 490). Sugere-se a doação de 1kg de alimento não-perecível, que será destinado às entidades sociais cadastradas no Programa Mesa Brasil Sesc

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Erechim comemora centenário



A nossa vizinha e próspera Erechim, da qual Cotegipe, se emancipou, comemorou 100 anos no ultimo dia 29, com um desfile em grande estilo pela Avenida Maurício Cardoso, valorizando seus cidadãos, todas as culturas e etnias que formaram a cidade. 




É claro que o povo cotegipense teve importante papel no fortalecimento na Capital do Alto Uruguai  como centro comercial, cultural e educacional. Trabalhamos, estudamos, cuidamos da nossa saúde, e principalmente, compramos em Erechim. Por isso, também fazemos parte da construção de Erechim. 

Parabéns a todos os cidadãos do Alto Uruguai e em especial de Erechim.






Fotos - divulgação Midia Vip

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Panfletos mostram campanha para construção da igreja matriz de Cotegipe




Duas belas imagens do panfleto lançado para arrecadar fundos para a construção da atual igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário, de Barão de Cotegipe. Atualizando: estas fotos foram enviadas pelo cotegipense Dirceu Longo. Abraço.

“A Velha Igreja Matriz de madeira, foi substituída por um magnífico templo de alvenaria ladeado por duas torres de cerca de trinta metros de altura. Esta igreja, inicialmente dedicada a Santo Antônio, foi consagrada, por sugestões do Padre Pollom, a Nossa Senhora do Rosário. A outra igreja dissidente, cujo ritual é igual ao da igreja católica romana, também funciona em prédio novo, à Rua 21 de Abril.”

Trecho retirado do livro “O Grande Erechim e sua história”, escrito pelo professor Antonio Ducatti Neto. 

domingo, 11 de março de 2018

Livro de Piazzetta lembra das festas e tiro ao alvo na propriedade da família Marca

Como relatei na postagem anterior (https://baraodecotegipe.blogspot.com.br/2018/03/dr-piazzetta-prepara-livro-com-cronicas.html), o dr. Luiz Carlos Piazzetta prepara um livro com crônicas e relatos de fatos e casos acontecidos e vivenciados por ele durante sua vida como médico, especialmente quando trabalhou em Barão de Cotegipe, mas, também uma recordação daqueles acontecidos em Erechim. O livro, cujo título é "Memórias de um Médico no Interior Gaúcho”, terá 400 páginas.

No texto que publiquei na postagem anterior Piazzetta conta a importância do cônego Pollon para o desenvolvimento de Cotegipe. Neste, abaixo, conta dos famosos piqueniques na propriedade família Marca, na entrada de Cotegipe, que hoje virou um loteamento. Conta também que graças ao meu pai, que lhe emprestou uma espingarda, ele conquistou prêmios na competição de tiro ao alvo que era realizada durante a festa. 

São relatos importantes da história cotegipense que estão sendo eternizados. Ainda bem. Boa leitura







Festa da Paróquia

"Naquela época as festas organizadas pela paróquia de Cotegipe eram muito concorridas. Vinha muita gente de todas as partes do município, inclusive de fora da cidade. O pároco local, cônego Pollon, era um grande líder. Inteligente e muito astuto, sabia reunir as pessoas entorno de um objetivo. Lembro de uma dessas festas da padroeira N. S. do Rosário, realizada em um belo e ensolarado domingo de muito calor, logo depois da missa.
Foi organizado um grande almoço ao ar livre, seguido de muitos jogos e diversas atrações, algumas delas provenientes de Erechim. As famílias se acomodavam embaixo das frondosas árvores, para escapar do sol escaldante, sentando-se diretamente sobre a grama, em volta de uma toalha. Era um grande picnic.  Foi lá no terreno de propriedade da família Marca, onde hoje está o loteamento de mesmo nome, logo a direita, na entrada da cidade, de quem está vindo de Erechim.
O local era muito bonito, cercado por um grande bosque. Existiam frondosas árvores distribuídas por todo o grande potreiro, que tinha recebido um bom trato, com a grama muito bem aparada. Quando chegamos o local já estava repleto de pessoas e muitos carros estacionados sob as árvores por todo o terreno. O almoço era farto e podia ser adquirido no local. Além do churrasco tinha muitos outros pratos, inclusive os famosos tortéis da nonna Marca e da Wilma.
O tiro ao alvo, com a famosa espingarda conhecida como “Flaubert” de origem da Tchecoslováquia, de propriedade do cônego Pollon, era uma das competições  mais concorridas. A pessoa interessada em atirar adquiria uma ficha, que dava direito à três balas de calibre 22 usadas naquela famosa arma. O total de pontos de uma série, de um atirador, era anotado e mais tarde confrontado com os resultados dos demais competidores. O vencedor receberia um prêmio que seria solenemente entregue à noite, após o encerramento da festa, lá no jantar realizado no salão paroquial.
Também tinha o concurso de tiro com espingarda de pressão e lá pela metade da tarde o concurso de tiro ao pombo, em uma pedana especialmente construída para aquele evento. Quem não trazia suas armas, ela eram emprestadas pelos moradores locais. Lembro que o grupo de atiradores do Clube Caça e Pesca de Erechim veio especialmente para participar daquela prova. Recordo também que foi ali que atirei pela primeira vez com uma espingarda de grosso calibre. Tudo era novidade para mim. Nunca tinha visto uma prova desta modalidade.
O amigo Albino Massarolo, hábil ferreiro juntamente com o seu irmão Gottardo, foi quem me emprestou a sua espingarda de dois tiros. Era uma belíssima arma de origem espanhola de dois canos, com detalhes prateados. Com ela não passei vergonha, acertando três, em uma serie de cinco pombos. Encerrada a festa ao ar livre quando já estava bem escuro, fomos para o salão paroquial, onde seria feito a entrega dos prêmios aos vencedores de todas as modalidades de concursos realizados naquela tarde. Após foi  servido um farto jantar.
Lembro até hoje que naquela noite recebi dois inesperados prêmios, pois não tinha ficado conferindo o resultado de todos os atiradores. Uma bela faca de caça e um canivete, por ter sido o vencedor das provas de carabina calibre 22 e de tiro com espingarda de pressão respectivamente. A partir daquele dia fiquei conhecido também pela boa pontaria."

Dr. Piazzetta prepara livro com crônicas e relatos de fatos e casos acontecidos em Cotegipe

Em conversa com o Dr. Luiz Carlos Piazzetta, o mesmo me contou que está preparando um livro, na verdade, praticamente concluído, com crônicas e relatos de fatos e casos acontecidos e vivenciados por ele durante sua vida como médico, especialmente quando trabalhou em Barão de Cotegipe, mas, também uma recordação daqueles acontecidos em Erechim. 

"Alguns desses relatos são casos médicos que, por serem extraordinários para época e, acredito ainda o são nos dias de hoje, conforme declarações de alguns colegas que já os leram, e que me incentivaram em publicá-los. Outros são acontecimentos alegres, muitos até jocosos, que achei interessante incluir", conta o médico. O livro, cujo título é "Memórias de um Médico no Interior Gaúcho”, terá 400 páginas.

Abaixo, com exclusividade,  um dos trechos do livro sobre a importância do cônego Pollon para o desenvolvimento de Cotegipe.  



Um Grande Líder




Cônego Stanislau Pollon e Dr. Luiz Carlos Piazzetta

"A longa permanência do cônego Stanislau Pollon em Cotegipe, como pároco da cidade, foi de fundamental importância para o destino daquela distante vila, distrito de Erechim. Realmente ele foi o motor propulsor que conseguiu trazer o progresso para a antiga Floresta, ex-distrito de Paiol Grande e depois Erechim, criando as condições necessárias para a sua emancipação politica, transformando-se então no município de Barão de Cotegipe.
 A sua inconteste liderança ia muito além das atividades puramente religiosas e paroquiais, estas desempenhadas com competência , amor e dedicação, para se estender para inúmeras outras áreas, tais como a saúde, a educação, a política, o bem estar social e o lazer. No tempo em que ainda não existia energia elétrica na cidade, foi o incentivador e criador de uma pequena, mas eficiente usina de força, com gerador movido por queda de água, que naquela época dava conta para o atendimento, ainda que precário, do município de Cotegipe, além de outros vizinhos. Conheci o local onde ficava a antiga represa logo após a minha chegada em Barão. Havia um rio de águas muito limpas e o local era muito arborizado, com frondosas árvores nativas. Ali nos dias quentes de verão ele gostava de ir nadar e tomar banho de rio. Fui até lá em sua companhia por diversas vezes, ocasiões em que ele se transformava, divertindo-se muito nadando naquela água fresca e cristalina do açude. 

Ali, só de calção de banho ele parecia uma verdadeira criança, ria muito e brincava bastante.Retornávamos para casa sempre no fim da tarde. Incentivou e, com o seu trabalho, criou o novo hospital São Vicente de Paulo, uma construção bastante grande para a sua época, trazendo de Curitiba, para administrá-lo, as Irmãs de Caridade da Ordem das Vicentinas. Também foi através da sua visão e liderança que foi criado o Colégio Cristo Rei, entidade de ensino médio para alunos de ambos os sexos. Também o conceituado internato, que ali funcionou por muitos anos, ambos administrados pela mesma ordem das Irmãs Vicentinas. 

Foi uma escola de referência por onde passaram centenas e centenas de jovens provenientes de todo o Alto Uruguai, e mesmo de mais de longe, como de alguns municípios de Santa Catarina. Idealizou e conseguiu construir a grande Igreja de Nossa Senhora do Rosário, uma imensa construção, mesmo para os padrões atuais. Com localização bem central, no fim da avenida principal da cidade, com as suas duas altas torres, uma com relógios para os quatro lados, que marcavam e anunciavam pachorramente as horas com fortes badaladas.  No seu interior abrigava uma comprida nave, mobiliada por dezenas de compridos bancos de madeira de lei. Também devesse a ele a criação do enorme ginásio de esportes do município, construído em um amplo terreno pertencente a própria paróquia, bem ao lado da Igreja Matriz, o qual logo se tornou o espaço principal para grandes festas e apresentações culturais na cidade, além de ser um concorrido campo de futebol de salão. 

De personalidade muito forte e centralizadora, conquistou o respeito e a amizade da maioria da população, mas, como todo líder, também a antipatia de alguns poucos invejosos do seu carisma e sucesso empreendedor. Batia sempre de frente e as vezes pode ter contrariado interesses de pessoas importantes do local. Desde a minha chegada na cidade, em 1º de Setembro de 1969, tive nele um grande amigo e aliado, tanto social como profissionalmente. Sempre foi um apoiador entusiasta do meu trabalho que desempenhava no hospital. Por vezes fiz o papel de orientador nos assuntos financeiros e em muitos outros de cunho profissional. 

Quando cheguei, eu era ainda solteiro e não conhecia quase ninguém, foi ele a pessoa com quem mais me relacionei, especialmente, naqueles primeiros anos na cidade. Com pontualidade, uma vez por semana, sempre às 20 horas, logo após o término dos nossos trabalhos diários, ele me esperava para conversar ou jogar algum jogo, na sua residência, a espaçosa Casa Canônica, construção sólida de dois pisos e diversos aposentos. O seu jogo favorito, não recordo mais o nome,  era uma espécie de arremesso de pequenos discos, nas cores verde e vermelho, feitos de madeira muito dura e pesada, contra as peças do adversário, que também tinham a mesma forma, tendo como objetivo jogá-las em uma espécie de pequena caçapa, localizada em ambas as pontas, no final da mesa de jogo. 

Aprendi com facilidade e sempre jogávamos algumas partidas enquanto conversávamos e depois tomávamos uma xícara de chá acompanhada com bolachas e bolo preparados pela eficiente e atenta perpétua. As vezes também apreciávamos um cálice de algum licor caseiro, que o cônego porventura tivesse ganho de um paroquiano. Acompanhei a fase final da construção e acabamento do ginásio de esportes, especialmente a compra da madeira de lei para o piso, se não me engano ele optou pelo Tarumã, uma madeira muito dura e pesada. 

Lembro da sua felicidade quando o pavilhão ficou pronto, mas ainda sem o acabamento final. Nesta fase ele já pode alugar alguns dos espaços que ficavam ao nível da avenida, embaixo da quadra de esportes. Foi ali, em uma dessas salas, que instalamos o recém conquistado Posto de Saúde, e onde funcionou por vários anos até que o  governo estadual construísse o seu prédio próprio, próximo ao ginásio estadual.  Recordo com saudades que, por quase dois anos, todos os domingos, sempre depois da última missa matinal na igreja matriz, por volta das dez e trinta, ele passava lá pelo hospital para me pegar, com a sua velha e usada caminhonete marrom, para irmos almoçar em alguma capela que naquele domingo estava realizando a sua festa anual pelo dia do padroeiro. 

Para mim essas saídas dominicais eram muito relaxantes após uma dura semana enclausurado no hospital, mergulhado em muito trabalho e repleto de responsabilidades. Em todas essas ocasiões, logo ao chegarmos e assim que terminava a missa nessas capelas, ele fazia questão de me apresentar oficialmente para a comunidade local ali reunida. Esta sua espontânea atitude muito me auxiliou para conhecer melhor o povo de Cotegipe e também ser por eles conhecido. Durante o trajeto das viagens para essas capelas, algumas localizadas até bem longe da sede do município, tínhamos a oportunidade de conversar à sós, sempre muito francamente,  sobre todos os tipos de assuntos. Essas viagens também serviram para consolidar ainda mais a amizade que nos unia. 

Lembro que em um sábado, logo cedo, pela manhã recebi um convite para acompanhá-lo em uma pequena viagem. Tratava-se de um jantar na casa de uns seus parentes, que moravam em Áurea, então distrito do município de Gaurama. Devido as precárias condições das estradas, a viagem se tornava demorada, mesmo para a época,  toda feita por uma estrada de chão batido, revestida por um cascalho que se esfarelava facilmente, conhecido em toda a região como “tabatinga”. Naquela noite, tal como em todas as outras residencias do distrito de Áurea, na casa dos familiares do cônego Pollon também estava faltando energia elétrica. 

A casa era iluminada precariamente com uma luz bem fraca, proveniente de dois pequenos lampiões à querosene, pendurados no teto por meio de grandes pregos. Foi lá, naquela pequena peça, sala e cozinha ao mesmo tempo, muito mal iluminada, que ele, com a cumplicidade dos seus parentes, tentou me pregar uma peça. O prato principal para o jantar era uma suculenta sopa, de cor um pouco escura, com macarrão largo tipo “tagliatelli”, feito em casa. Conversavam muito entre eles e quase só falavam em polonês. 

Por vezes lembravam que eu não conhecia absolutamente nada daquela língua e voltavam a falar em português. Educadamente sempre que se dirigiam à mim falavam em português. Ninguém me explicou do que consistia aquele prato e nem que se tratava de uma conhecida especialidade da cozinha polonesa. Pela cor escura, pensei até que fosse sopa de feijão, talvez um tipo de minestra. Eu também ainda não tivera tempo para conhecer os costumes e as tradições polonesas para poder antecipar aonde eles queriam chegar. 

Enquanto eu comia, podia perceber nitidamente que, tanto o cônego como os seus familiares, por vezes me fixavam atentamente e trocavam olhares entre eles. Uma vez terminado o jantar, o cônego, com aquele seu característico sorriso malandro nos lábios, perguntou se eu havia gostado daquele prato típico polonês, ao que, prontamente, respondi afirmativamente, tanto que o tinha repetido duas vezes. Ainda com aquele seu largo sorriso, ele e seus familiares,  explicaram que aquele prato se chamava czarnina e era feito com sangue de pato, daí aquela sua coloração bastante escura. A brincadeira consistia que, muitas pessoas,  não pertencentes a etnia polonesa, ficavam com nojo daquela sopa e recusavam-se a prová-la. 

Todos eles ficaram muito felizes, especialmente a dona da casa, que também tinha sido a cozinheira, pelo fato que eu, de origem italiana, tivesse gostado e saboreado aquele seu prato típico."

sexta-feira, 9 de março de 2018

Vai ter "filó" hoje? Conheço um pouco desse costume das famílias italianas

 No blog do Dr. Luiz Carlos Piazzetta - https://emigrazioneveneta.blogspot.com.br - encontrei uma bela definição do "filó", hábito cultivado entre as famílias italianas de visitar vizinhos ou parentes à noite. Lembro muito bem das caminhadas à noite até a casa do tios Mósena (Benjamim e Valentim), e da tia Severina Meneghel, para fazer o "filó". 

Era uma aventura, pois íamos a pé, com pequenas lanternas ou lampiões a iluminar o caminho, e sempre tinha alguém contando história de lobisomem ou mula sem cabeça, só para aterrorizar a criançada.

Lembro que nas casas sempre havia farta comida, mas o que eu gostava mesmo era do saboroso milho verde recém colhido, suco de uva, frutas e outras coisas mais. Enquanto os adultos conversavam, a molecada corria em volta da casa, brincava, fazia o diabo. Muito gostoso.




Veja a origem desse costume nas palavras do Dr. Piazzetta: 

"Entre os importantes hábitos sociais cultivados pelos imigrantes vênetos que colonizaram as terras gaúchas, estava o do "filò", que era um encontro fraternal entre os componentes de famílias vizinhas, que tinha início com o cair da noite, após uma jornada dura de trabalho no campo. Era um momento para o relaxamento e descontração, que unia jovens e velhos de ambos os sexos. 

Este hábito, que foi trazido da Itália, servia como um momento de ajuda recíproca com a troca de informações pessoais e coletivas, de confidências e conselhos sobre a saúde, o andamento da plantação e das colheitas. Era o espaço em que se podia saber das novidades ocorridas com as famílias vizinhas, tanto as boas como também aquelas tristes. Este encontro informal ocorria cada vez na casa de um vizinho, sempre nas estrebarias, junto com o gado, que com o seu calor aquecia o ambiente, assim como se fazia por séculos nas terras de origem, deixadas para trás com a emigração. 

Cantavam se estavam alegres, jogavam, contavam histórias e ao mesmo tempo faziam pequenos trabalhos manuais, em que todos participavam. As mulheres, enquanto falavam, faziam cestas, bolsas, estas chamadas de "sporte" e chapéus com a palha entrelaçada - la dressa - para uso da família e à vezes também para serem vendidos no mercato mais próximo. Nos dias de inverno também faziam trabalhos com a lã, como o tricot ou remendavam as roupas da família. As moças que pretendiam se casar e aquelas já noivas, aproveitavam para fazer o próprio enxoval. Sempre era servido alguma coisa para comer e beber, conforme a estação do ano. 

Cada família levava alguma coisa de casa, aquilo que podia, e juntos, dividiam alegremente. O filó era também o momento esperado, em que os rapazes e moças travavam conhecimento e começavam fortuítos namoros, início da maioria dos casamentos daquela época. O filó foi também a maneira encontrada pelas coletividades de imigrantes para, com o estar juntos reunidos, poderem mitigar o sofrimento e as saudades da terra natal, dos parentes e amigos deixados para trás com a radical mudança de vida causada pela emigração. 

Com esses encontros firmava-se cada vez mais o sentimento de pertencer a uma comunidade e isso criava as condições para a fixação e o enraizamento daqueles imigrantes. Juntamente com a forte e decisiva presença feminina, os filós muito concorreram para o sucesso alcançado pela imigração vêneta e italiana em solo gaúcho."

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Rio Uruguai abriga paraíso ainda pouco conhecido


A PEQUENA CIDADE DE ITÁ, na divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul, investe para se tornar o principal destino turístico do interior catarinense nos próximos oito anos

Torres da Igreja Matriz São Pedro, única estrutura que restou da antiga Itá

























*Jaqueline Harumi
jornal Correio Popular

Quando se fala na região Sul do País, sobram destinos turísticos conhecidos como Balneário Camboriú (SC), Gramado (RS) e as capitais Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS). E é em meio a tantas cidades famosas a pequena Itá, no Oeste catarinense, não tem medido esforços para se tornar o primeiro destino turístico do Interior do Estado dentro de oito anos, com meta de crescimento de 15% ao ano. Sua mais conhecida hospedagem, o Itá Thermas Resort, tem se empenhado para atrair turistas ao longo de todo o ano com um calendário voltado para diferentes públicos, além de ter assumido a administração do vizinho Aqua Parque, que atualmente disponibiliza 12 piscinas externas com 13 brinquedos.


À margem do rio Uruguai, na divisa com o Rio Grande do Sul, em meio a muito verde, Itá é considerada por seus moradores a Capital do Paraíso, com espelho d’água de 141 km² formado pelo represamento do Rio Uruguai para a construção da usina hidrelétrica que leva o mesmo nome. A pequena Itá, originada por imigrantes europeus, principalmente poloneses, alemães e italianos, foi retirada de sua área original, que foi inundada, e reinstalada em um local mais alto.

A nova cidade foi totalmente planejada a quatro quilômetros da antiga e inaugurada há 21 anos, sendo que há 13 começou a atrair cada vez mais visitantes com a inauguração do Itá Thermas Resort e Spa, que possui 134 apartamentos nas categorias luxo, suíte luxo e suíte master, e restaurante com padrão internacional e bar com vista para o lago. Além de diversas opções de lazer, os hóspedes ainda têm acesso livre ao Aqua Parque desde que o Itá Thermas assumiu a gestão.



O resort possui suas próprias piscinas de águas termais com efeitos terapêuticos como ação anti-inflamatória, antitóxica e hidratante – cinco externas e três internas com duchas e banheira de hidromassagem –, com quiosques, bar molhado e toboágua, assim, como conta com três pistas de boliche, miniarvorismo, cinco quadras de tênis de saibro, duas quadras de vôlei de areia, futebol de areia ou futevôlei, uma quadra de futsabão, um campo de futebol 7, minigolfe, academia, sala de jogos, sala de recreação infantil com playground, decks para relaxamento e leitura, loja, spa, dois auditórios, campo de paintball e capela para orações.

Turismo rural
Para quem quer ir além do complexo do Itá Thermas, também não faltam atividades, já que a cidade possui roteiros turísticos aquático, de aventura, cultural e rural. No aquático, os visitantes podem não só desfrutar das águas termais como do passeio de barco passando pelas torres da Igreja Matriz São Pedro — única estrutura que restou da cidade antiga e foi preparada para receber turistas —, pela prainha — projetada para banho no lago — e pela barragem.


Já os aventureiros podem fazer passeio de jet ski, canoagem, buggy e cavalo, sem esquecer de curtir a segunda mais longa tirolesa da América Latina, com 1.780 metros de extensão em dois trechos e altura máxima de 86 metros, passando sobre o lago da usina, e o mais completo circuito de arvorismo do Sul do País, com mais de 200 metros de extensão, que inclui uma minitirolesa.
Para o resgate da história da cidade, além da visita às torres da antiga igreja, ao Mirante Caracol e à Pedra Fundamental na praça central – marco inicial da construção da nova cidade, cujo nome em tupi-guarani significa pedra –, é preciso conhecer em especial o Museu do Balseiro, que resgata os 40 anos da exportação de madeira como base para o desenvolvimento da comunidade e ainda possibilita uma refeição inspirada nas origens no Restaurante Hösen Haus.


Aliás, é na zona rural onde estão deliciosas experiências como as visitas à Itaberry Frutas Finas, em que é possível colher mirtilo, amora, framboesa, morango e até physalis direto do pé, e à Vinícola e Cachaçaria Família Quadros, que oferece degustação de cachaças, licores e geleias, com possibilidade de reserva para almoço e jantar – o sorvete de mirtilo com calda da fruta é imperdível.



Prefeitura investe na infraestrutura

Depois de inaugurar o segundo bonde funicular do Brasil — único movido a energia solar — em maio passado, a Secretaria Municipal de Cultura promete colocar para circular nas ruas uma jardineira temática com city tour semelhante à de Curitiba (PR) e a partir de março começar as obras de passarelas e ciclovias com áreas para convívio em parte da margem do lago.

A expectativa é que até 2020 seja dobrada a capacidade de hospedagem com o e.Suites Resort, Termas e Marina, em construção, e o que promete ser a pousada mais ecológica do País com 34 cabanas estaiadas. Em 2021, está prevista a entrega do Centro Cultural com auditório para 800 pessoas e futuramente há planos para a construção de um parque em frente às torres, com arquibancada, restaurante, capela, loja de souvenirs e banheiro, e um novo Mirante Caracol, com 12 metros de altura, envidraçado e com vista 360 graus.

*A repórter viajou a convite da Schultz em parceria com Itá Thermas Resort e Lago do Uruguai Receptivo.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Enquete: Você voltaria a morar em Cotegipe??



Na coluna ao lado resolvi fazer uma enquete sobre se antigos moradores de Cotegipe, que se lançaram por este mundo afora por vários motivos, voltariam a morar na cidade. 

A pergunta é simples, mas a resposta pode trazer à tona reflexões sobre nosso passado e futuro.

Na minha época, lá pela década de 70, era normal os filhos terminarem o segundo grau e partirem para Santa Maria, Porto Alegre ou Florianópolis para fazerem faculdade. Não havia opção de universidade gratuita em Erechim, por exemplo. Trabalho também era complicado para quem ambicionava algo mais. Então, muitos jovens saíram de Cotegipe.

Será que estes senhores e senhoras, agora já entrando na terceira idade, pensam em voltar para sua terra natal? Ter uma vida mais tranquila, sem a correria de uma cidade grande? Ter uma casinha, uma varanda para tomar o chimarrão no final da tarde, passar na casa do vizinho ou dos parentes para bater um papo, ir na igreja, no clube ou tomar um sorvete na avenida principal. 

Esta é uma questão que às vezes me vejo pensando. Porque não voltar para a terra natal, onde estão amigos, parentes e outro estilo de vida? 

É claro que a cidade não é mesma de quando deixamos. Mudou bastante, muitos conhecidos já morreram e novas gerações formam a nova população, bem como as relações pessoais, mas o âmago, a raiz, continua presente.

De seu voto, mas mais que isso, escreva aqui sua opinião sobre o que você acha do tema.

Abs




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