quinta-feira, 1 de junho de 2017

Cotegipe debaixo de água





O Rio Jupirangaba transbordou e invadiu casas no centro de Cotegipe, além de destruir as pequenas pontes e arrancar parte da margem. O prefeito Vladimir Farina declarou situação de emergência e acionou a Força Voluntária no início da noite de terça-feira, dia 30, no momento crucial da enchente que assolou a cidade. 

Veja vídeo da RBS no link abaixo e fotos veiculadas na internet. http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/nivel-do-guaiba-estabiliza-mas-defesa-civil-segue-em-alerta-na-regiao-das-ilhas.ghtml




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Ironias do destino (2) - a chegada dos chineses

Sede da CPFL Energia em Campinas
No post Ironias do destino (leia aqui) comentei sobre a vinda do supermercado Sonda para Campinas (SP) e minha relação com ele na infância/adolescência. Também comentei sobre a energia elétrica consumida em Barão de Cotegipe e boa parte do Rio Grande do Sul, cuja empresa responsável, a CPFL Energia, é aqui de Campinas.

Pois bem, agora quem comanda a energia consumida em Cotegipe são os chineses. A State Grid, a maior empresa do setor elétrico do mundo, concluiu em janeiro a aquisição de 54,64% de participação acionária da CPFL Energia e será o acionista controlador. O valor da operação foi de aproximadamente R$ 14 bilhões. 

Ou seja, os chineses chegaram com tudo e mesmo a pequena Barão de Cotegipe tem sua principal fonte de energia sob controle deles. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Documentário em produção por cotegipense vai expor a realidade da vaca sagrada na Índia


Kalislei Rosinski e o cineasta Shubhranshu fazem campanha na internet para arrecadar fundos e concluir o filme que mostra a obsessão do indiano por leite

A cotegipense Kalislei Rosinski na Índia
Divulgação/Facebook







A  jornalista e professora de yoga Kalislei Rosinski extrapolou os limites de sua terral natal, Barão de Cotegipe (RS), e há três anos mora na Índia, onde se lançou numa empreitada ousada. Ela e o cineasta indiano Shubhranshu se uniram para produzir o documentário The Holy Cow – Truth Begind India’s Milk Obsession (A Vaca Sagrada – A verdade Atrás da Obsessão Indiana pelo Leite), que  pretende revelar como as vacas sofrem para que o costume de consumir leite seja mantido no naquele país.

Grande parte da população da Índia não come carne de vaca pois a considera um animal sagrado, mas o consumo de leite é altíssimo. Em contrapartida, o número de vacas que sofrem maus-tratos pelas ruas é "assustador", segundo Kalislei, além da grande quantidade de abatedouros clandestinos. Os gases emitidos pelos animais também são altamente nocivos para o meio ambiente. O país tem 1,2 bilhão de habitantes, seis vezes mais gente do que há no Brasil. 

                                          Clique e veja o vídeo da campanha 
Para conseguir gravar o filme, Kali e Shubhranshu estão fazendo uma campanha no site de financiamento coletivo Indiegogo  (clique aqui) pedindo US$ 7 mil (cerca de R$ 22.500,00). O dinheiro servirá para comprar equipamentos de vídeo e áudio, pesquisas, viagens e para a pós-produção. É possível fazer as contribuições por meio de um cartão de crédito internacional ou então entrar em contato com Kalislei pelo e-mail kalirosinski@gmail.com. 
Leia a seguir um bate-papo com Kalislei:

- Como vai ser interferir em algo tão sagrado para a cultura e religião hindu?
Kalislei Rosinski - Nós iremos tocar em algo muito delicado, visto que o uso do leite e seus derivados está muito presente nos hábitos diários dos indianos. Além de usar em sua alimentação diária, eles também usam em cosméticos, medicina e na sua adoração e rituais. Como eles adoram a vaca, acreditam que tudo que vem dela é sagrado, inclusive a sua urina, que é usada como medicina. Nós acreditamos que esse choque de consciência é necessário, pois se para um país como o Brasil ainda falta muito esclarecimento nesse assunto, na Índia, muito mais. Nós iremos tocar em um assunto muito delicado, e acreditamos que após o lançamento do filme, poderemos ter críticas e oposição. Porém, o que será mostrado é a realidade, e também acreditamos que teremos o apoio de muitos que irão abrir os olhos para a triste realidade que a maioria faz questão de ignorar.
Existe muita oposição a matadouros aqui, inclusive muitos hindus ortodoxos quando descobrem algum caminhão camuflado levando vacas à matadouros, acabam agredindo e muitas vezes matando os condutores. Porém, eles ainda não conseguem relacionar o seu consumo de leite e derivados com a matança da sua “mãe vaca”.


- Já encontraram algum tipo oposição? 
Por enquanto não encontramos nenhum tipo de oposição. As pessoas em geral estão sendo receptivas e abertas a conversar sobre o assunto. Porém, falar em matadouros ainda é um pouco perigoso, a maioria dos hindus não sabe da existência, pois a maioria é ilegal. O nosso desafio agora será entrar lá com uma câmera espiã.
 
Vacas em rua da Índia: abandono / Divulgação


- Como está a arrecadação de fundos. Quanto vocês vão precisar?
A arrecadação está um pouco lenta, mais que nós esperávamos. A nossa campanha no crowdfunding está estimada em 7 mil dólares. Optamos por um valor baixo pois esse documentário não visa nenhum lucro pessoal, nós estamos trabalhando nele apenas pela causa animal e ambiental em relação ao veganismo.

- Há quanto tempo você está na Índia, em que lugar ou cidade exatamente?
Eu estou morando na Índia há quase três anos. Nesse momento estou morando em Delhi, a capital do país devido ao projeto do documentário e as filmagens. Porém, já morei em Rishikesh, Manali, Surat e outros pequenos vilarejos.

Kalislei em posição de yoga/Facebook


- Voce está se mantendo como professora de ioga?
Fiz muito trabalho voluntário e morei em muitos ashrams, que eram de graça ou doação, o que transformou o meu custo de vida muito baixo. No início tinha um pouco de dinheiro que eu havia economizado, depois enviei produtos indianos para vender no Brasil. Após a minha formação como professora de yoga, é como venho me mantendo, além, claro da ajuda da minha família quando preciso.

- Você está fazendo algum outro estudo?
Todos os meus estudos na Índia foram voltados ao yoga, meditação, reiki, ayurveda, veganismo e meio ambiente.


- Porque esta paixão pela Índia?
Minha paixão pela Índia é antiga. Desde que eu era criança ou adolescente tinha uma fascinação por esse país sem mesmo entender direito o porque, e nem conhecer muito sobre. Talvez pelo misticismo, cultura e tradições. Com o tempo, essa paixão foi amadurecendo enquanto eu aprendia mais sobre esse país. Quando me tornei vegetariana, há 11 anos, e descobri que a Índia tem a maior população de vegetarianos do mundo, aquilo me encantou ainda mais. Eu pensava que aqui era o paraíso para os veganos e os animais. Após alguns anos comecei a meditar e comecei meus primeiros contatos com o yoga, ambos originários na Índia. E aos poucos minha paixão se transformou em amor. 
Claro que nem tudo foi mágico como eu esperava, principalmente após estar morando aqui,. Vi que a realidade dos animais era bem diferente da minha idealização, e por isso surgiu a ideia do documentário.


Kalislei contempla uma das belas paisagens da Índia/Facebook



quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Era uma vez um Verão






























Lá vem o Verão, com seu calor, amor e prazeres. Uma das estações mais esperadas e festejadas por todos. Sinônimo de Natal, Ano Novo, férias, fim de aulas, banho de mar, de rio, de cachoeira, sorvete, bebidas, praia lotada, viagens, congestionamentos e muita gente por todos os lados. É a loucura provocada pelo sol da estação. 

No entanto, longe de tudo isso, vem uma lembrança totalmente diferente: eu, meu pai e minha mãe sentados em cadeiras de palha na calçada em frente à casa deles, na pacata cidade de Barão de Cotegipe. Era final de tarde e a lua já surgia no céu antes mesmo dos últimos raios de sol se esconderem atrás da montanha do tio Gottardo. O calor escaldante do dia era varrido pelo frescor da brisa noturna. 



Era um momento mágico, com as estrelas nascendo no horizonte, clima suave, casais, crianças, caminhando despreocupadamente pelas ruas, aproveitando o agradável início da noite, sem pressa. Amigos e vizinhos paravam para conversar e tomar um chimarrão. Depois, seguiam seu rumo. No ar, o cheiro de comida saborosa que saia das casas. 

Nós três, sentados, conversando sobre tudo e nada. Apenas desfrutando de uma harmonia com a natureza, com o clima e com as pessoas. A impressão que eu tinha era de que a transposição do dia para a noite era muito lenta, dando tempo de absorver todos os ingredientes pairados no ar. Os vaga-lumes surgiam do nada, iluminados por suas lanternas verdes, num bailado desprovido de coreografia. Em determinada hora, meu pai apontava para o céu para mostrar o Cruzeiro do Sul e os satélites que cruzavam por entre as estrelas, rumo ao infinito. Eu acredito que eram satélites. 

Quando volto para esse lugar ainda fico encantado com aquele céu tão perto e tão estrelado. E à noite, o silêncio eloquente só é quebrado pelo barulho do único ônibus que passa na madrugada em direção à capital. Fora isso, na calma noturna dá até para ouvir a raposa roubando uva do parreiral.

Esse lugar ainda existe, menos a histórica casa onde meus pai viviam. É uma daquelas lembranças que fica gravada em um canto especial da memória. Faz parte de um momento simples, mas preenchido de muitos sentimentos. E de estrelas. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Ironias do destino

Inauguração da primeira loja do grupo Sonda, em 1974, na Rua Torres Gonçalves,
em Erechim 

Coisa loca este destino. Que eu lembre, minha primeira compra em um supermercado, lá pela década de 70, foi no recém-inaugurado Supermercado Sonda, no centro de Erechim. Na época, uma coisa grandiosa diante dos pequenos mercados e armazéns que existiam em Cotegipe. Impressionava a grande quantidade de mercadorias nas gôndolas e o fato de você entrar, escolher os produtos, colocar no carrinho e pagar no caixa. Ah, e tinha um auxiliar que empacotava as compras. Lembro que durante muitos anos acompanhei minha mãe nas compras no Sonda.

O tempo passou, o Sonda migrou para São Paulo, e, décadas depois, não é que voltei a fazer compras no supermercado Sonda? Só que aqui em Campinas, interior de São Paulo, a mil quilômetros de distância de Erechim. Os proprietários da rede já não são mais os mesmos, mas a marca está lá - Sonda. É difícil não fazer uma ligação com o passado, com Erechim e Cotegipe. É aquela velha história. Ironia do destino.

O supermercado Sonda me lembrou outra relação, desta vez com a energia elétrica. Quando criança, lembro que a energia elétrica que abastecia Cotegipe vinha da pequena usina montada em uma represa em Ponte Preta. Por muitas vezes fui com meu pai, o padre Polon, o sr. Polon, Valdirão, De Ré, Rosa e outros senhores que não lembro o nome, fazer algum tipo de conserto na usina, ou então simplesmente para passar o final de semana pescando.

Era uma aventura, pois íamos no velho Fordinho da paróquia e outras camionetes rurais. Depois, a energia da usina foi substituída pela CEEE (estadual) que virou RGE e que acabou comprada pela CPFL Energia. Outra ironia do destino. A CPFL Energia foi fundada e tem sede em Campinas, onde moro. Ou seja, a CPFL controla toda a energia que é consumida em Erechim, Cotegipe e demais cidades da região. Coisas do destino.



terça-feira, 29 de novembro de 2016

Carinho e solidariedade ao povo chapecoense


Os familiares do blog A Grande Barão de Cotegipe, bem como a grande família cotegipense, se solidarizam com as famílias chapecoenses neste momento de profunda dor com o trágico acidente aéreo que vitimou 71 pessoas, quando o glorioso time Chapecoense se dirigia para a cidade de Medellin, na Colômbia. 
Nossas orações e solidariedade aos familiares dos jogadores, jornalistas, comissão técnica, convidados e tripulantes da aeronave. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Vladimir Farina é o novo prefeito de Barão de Cotegipe

Prefeito Vladimir Farina (PP) e o vice Joni Giacomel (PTB) vencem eleições em Barão de Cotegipe (Foto- Divulgação)


O ex-prefeito Vladimir Farina (PP), que governou o município por dois mandatos (2005-2008 e 2009-2012), obteve 57,59% (2.845) dos votos válidos, vencendo por diferença de 750 sufrágios o atual gestor, Fernando Balbinot (PT), que recebeu 42,41% (2.095) dos votos.

Para Farina, a vitória é um reconhecimento ao trabalho realizado nos mandatos anteriores e também uma resposta a uma forma diferente de fazer política. “Visitamos 99% das famílias. Fizemos uma campanha propositiva e promovendo a cultura da paz, sem bandeiras, sem adesivos, sem gastos. Em cada conversa sentimos o apoio e o calor humano da população de diferentes partidos, que nos acolheu com muito carinho em suas casas. Penso que essa conquista é um reconhecimento a nossa maneira de trabalhar colocada em prática em gestões anteriores, sempre governando para todos”, declarou o prefeito eleito, que apostava na vitória, mas não imaginava que seria por tamanha diferença.

Entre as preocupações de Farina está atender, com excelência e por meio dos serviços oferecidos, as demandas da população, que registrou aumento significativo no município, que assim como as demais cidades brasileiras, sofre com a queda na arrecadação e redução no repasse de valores do Estado e da União. “Os últimos anos têm sido de turbulência, mas temos um comércio muito bom e uma agricultura forte”, avalia.

Para fazer frente aos futuros desafios, ele já tem a receita. “Vamos adotar a mesma fórmula da campanha e fazer mais com menos, mudando o sistema de administrar o município, que deve ter orçamento, aproximado, de R$ 18 milhões em 2017. Com pulso firme vamos economizar onde for preciso, ajudar as empresas e fortalecer a agricultura para devolver à população a confiança depositada nas urnas em fora de saúde, educação, emprego e renda. Nossa comunidade é trabalhadora e honrada e merece nosso respeito e carinho”, assegura, agradecendo o apoio da população e também da família em mais este desafio.

Farina também já foi vereador pelo PP no período de 1993 a 1996 e esteve à frente da Amau – Associação de Municípios do Alto Uruguai nos últimos seis meses de 2012.


Resultado
Vladimir Farina (PP) - 2.845 votos (57,59%)
Fernando Balbinot (PT) - 2.095 votos (42,41%)
Total de eleitores aptos - 5.173
Total de votos válidos - 4.940 (95,50%)
Brancos - 83 (1,60%)
Nulos - 150 (2,90%)
Abstenções - 535 (9,37%)

Texto: JBV Online


Eleições 2016: vereadores eleitos em Barão de Cotegipe


Vereadores de Barão de Cotegipe - RS

APURAÇÃO
100%

Candidatos / Vereadores Eleitos de Barão de Cotegipe

Vagas para Vereador: 9
Joao Carlos Dassoler 11111
ELEITO
6.09%
302 VOTOS
Zaqueu Picoli (Pipo) 45666
ELEITO
5.77%
286 VOTOS
Floriano Ternes 13613
ELEITO
5.61%
278 VOTOS
Rodrigo Colet 11670
ELEITO
4.84%
240 VOTOS
Trombeta 14000
ELEITO
4.23%
210 VOTOS
André Gasparini 13000
ELEITO
4.07%
202 VOTOS
Djoni Kreczynski 40321
ELEITO
4.01%
199 VOTOS
Luiz Eduardo Giacomel 12345
ELEITO
3.87%
192 VOTOS
Adelir José Sartori 15015
ELEITO
3.43%
170 VOTOS

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Lembrança do velho e saudoso Café do seu Olivo

O velho Café/Rodoviária do seu Olivo. Época marcante para várias gerações
Dias desses publiquei no Facebook a foto acima do velho café e rodoviária do seu Olivo. A foto mexeu com os cotegipenses dos quatro cantos do mundo. Antes de continuar, vou tentar identificar os personagens da foto. No canto esquerdo aparece o pneu traseiro da minha velha e querida companheira de aventuras pelas colônias, a bicicleta Caloi barra forte pneu linguiça. Na sequência, não consegui identificar o BM que está em pé. O primeiro sentado é o amigo Edgar Tussi e depois sou eu. Os demais também não reconheço. Alguém sabe quem é?

Bem, vale dizer que depois da igreja o Café era o principal ponto de encontro de Cotegipe (ou
o contrário, não sei). Era ali que a gente se reunia todo final de semana para conversar, beber, encontrar os amigos e sair para bailes e festas. Quando criança costumava ir com meu irmão tomar sorvete e assistir televisão no Canal 5. Entrar ali para uma criança era entrar no mundo dos adultos. Ficava receoso. Também era estar no lugar mais agitado da cidade, era estar na “onda”. Ali estavam os malandros, os descolados e também as famílias.

O Café do seu Olivo era um lugar especial. Fim de semana era obrigatório passar por lá e tomar um sorvete. Por falar em sorvete, durante algum tempo eu levava entre cinco e dez litros diários de leite da vaca holandesa do
meu pai para seu Olivo fazer os deliciosos sorvetes. Ia de bicicleta, levando um taro de cada lado e muitas vezes eles não chegavam inteiros ao destino. O leite ficava pelo caminho e eu com um machucado no joelho, rs rs.

O café também era rodoviária. Durante o dia era ponto de partida e chegada, principalmente para a distante Erechim, naquela época.
E tinha os ônibus da família Cavalim e da Unesul, que nos levavam para destinos mais distantes, como Porto Alegre ou Cascavel.

Mas o velho casarão no existe mais, deu lugar a um novo prédio de alvenaria. Sinal dos tempos. Ficou na nossa lembrança e nesta bela foto. Lembranças que ficam de uma época adorada por todos. O Café do seu Olivo, bem como sua família, marcaram época de toda uma geração de cotegipenses. Fiquemos com as lembranças, que devem ser repassadas aos nossos filhos e netos.



quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Lágrimas por Ceará



O frescor da manhã ainda refletia na grama da praça quando saí para levar o lixo na caçamba estacionada na esquina da rua. Notei que um pequeno caminhão de mudanças circulava a praça lentamente, com o motorista olhando atencioso para as casas.
- Está perdido, pensei.

Dito e feito. Segundos depois o caminhão de cor branca e placas de São Paulo para ao meu lado. Tento ler o nome da empresa de mudança estampada num pequeno slogan na carroceria, mas ela está toda riscada. 

- Bom dia moço, você sabe onde fica o número 245 desta rua, pergunta o motorista, um jovem com cerca de 25 anos, barba por fazer e olhar preocupado.

- A numeração nesta rua é desordenada mesmo, respondo. Também não sei, mas se você tiver o nome da pessoa talvez eu conheça. 

Ele pega o celular e me mostra o nome, o endereço e a foto do rapaz. É um jovem, também barbudo, provavelmente estudante e morador de uma república. Dou uma boa olhada na foto mas não reconheço o rapaz. Explico ao motorista que a rua é curta e fica entre a Estrada da Rhodia e a fazenda e que não vai ser difícil encontrar o número. Sugiro que ele procure num beco no final da rua. É bem provável que o número esteja por lá. Já estava colocando o lixo na caçamba quando ele puxa conversa.

- Lugar tranquilo de morar aqui, né, muito bonito também, diz ele. Ruas de terra, muitas árvores e esta calmaria.

- Concordo e digo que é muito bom, ao contrário de São Paulo, de onde deduzi que ele vinha.

- Ah sim, São Paulo é aquela poluição infernal, barulho, carros, uma doideira sem fim, diz ele, alongando a conversa. Mas este lugar lembra muito minha terra natal, o Ceará. Vim para São Paulo para fazer um dinheirinho e assim que puder volto para minha terra, diz.

- Com certeza a qualidade de vida lá é bem melhor que o inferno de São Paulo.

- Não é só isso, é que deixei meus pais lá, sozinhos, eles só têm a mim no mundo. Estou morrendo de saudades deles. Não posso nem falar isso que me dá vontade de chorar. 

E para minha surpresa, ele começa a chorar mesmo. Constrangido, em plena segunda-feira cedo, com um homem desconhecido chorando na minha frente, digo que é uma decisão que somente ele pode tomar. Ainda com lágrimas nos olhos, ele diz que está pensando seriamente em retornar aos seus familiares, mas que antes precisa guardar um dinheiro. Pensei em quantos como ele no passado fizeram este caminho e que jamais conseguiram voltar para seus familiares, ficando a saudade e a dor de uma separação.

Ele agradece pela ajuda, liga o caminhão e vai em direção ao beco onde talvez esteja a pessoa que procura. Coloco o lixo na caçamba, caminho para casa e penso no que será o resto da semana. Bom dia.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A violência no Rio Grande do Sul


Há alguns dias comecei a escrever um artigo sobre a violência em Cotegipe. Parei porque achei que eram fatos isolados o que lia nos noticiários, mas eu estava errado A ida da Força Nacional para controlar a violência no Estado é extremamente lastimável e mostra que algo está fora de controle em todo o Estado. 

Obviamente essa Força não chegará a Cotegipe, mas é um reflexo da situação perigosa em que se encontra o Rio Grande do Sul e, consequentemente, todos seus moradores, inclusive os cotegipenses. É triste para quem esta fora ver o que esta acontecendo com  a terra natal. Moro no estado de São Paulo, onde a violência impera, mas nunca foi necessário chamar reforço nacional.

É claro que tudo isso também decorre da situação economicamente famigerada que vem consumindo o Estado nos últimos anos. Um Estado que poderia ser uma grande potência, está falido. 

Tomaras que essa situação se resolva rápida e que a paz volte a reinar no Estado. Creio que o significado de gaúcho faca na bota não é bem esse. 


Era isso que eu estava escrevendo."É, Cotegipe não é mais a mesma. Basta fazer uma pequena busca na internet que as notícias que mais aparecem são prisões de falsários, advogados, adolescente detido em sala de aula com drogas, de foragidos e até de assassinos. 


Além dos crimes comuns, os do colarinho branco continuam existindo. Como o recente caso de falsificação e venda irregular de medicamentos. Felizmente não são cotegipenses, mas pessoas que lá se instalaram, mas, como da outra vez, mancharam o nome da cidade.

E tem também escritório de advocacia envolvido com a falsificação de documentos. E volta e meia um sujeito procurado pela justiça é preso na cidade. Que fase!!!"

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Pokémon GO? Por que não?


Ora, ora, por que não o Pokémon GO? Houve uma época em que a diversão da criançada era caçar borboletas, pegar passarinhos em arapucas e praticar outras “brincadeiras” com animais. Nos olhos de hoje, todas politicamente incorretas.

Então, por que não deixar a criançada e adultos correrem atrás desses estranhíssimos monstrinhos virtuais, com nomes mais estranhos ainda, pelas ruas, parques e praças? Se já não é mais possível caçar borboletas ou passarinhos, que se use a tecnologia para uma diversão sintética. Assim como antigamente vieram os bichinhos virtuais e todas as crianças queriam um, agora a febre mundial é o Pokémon.

O jogo foi inspirado no desenho animado japonês Pokémon, sucesso infantil na década de 1990, que tinha como personagens os monstrinhos Pikachu, Charmander e Squirtle. O game usa realidade virtual associada ao sistema de localização por satélite (GPS) para espalhar os pokémon pelas cidades. A brincadeira é caçar e colecionar os monstrinhos, que só podem ser visualizados e capturados com o smartphone. Uma brincadeira que fez as ações do grupo Nintendo crescerem 90% em um mês.

A ideia é boa. Em vez de deixar o jogador trancado em casa, em frente ao monitor, o objetivo é fazer com que ele se exercite atrás dos bichinhos pelas ruas da cidade. E deu certo. Reportagem do Correio mostrou que o game está unindo pais e filhos na busca conjunta dos bichinhos. Isso é bom. Tira o filho do isolamento e fortalece o contato familiar. 

No Facebook vi um vídeo com o depoimento emocionado da mãe de um jovem autista. O jogo teve o poder de tirá-lo de dentro de casa, levá-lo para a rua e fazer com que interagisse com outras pessoas. Pronto, já valeu. Porém, tem muita gente distraída pelas ruas, com os olhos grudados no celular e sofrendo acidentes. São vários os relatos de pessoas que caíram em lagos, foram atropeladas, assaltadas e multadas enquanto procuravam os Pikachus.



Como nenhum almoço é de graça, as teorias da conspiração levantam alertas contra o jogo. Um deles é a invasão de privacidade. Quando você instala o aplicativo dá permissão para acessar sua lista de contatos, localização precisa ao GPS e leitura de todo o conteúdo gravado no celular. Dados que podem ser usados para várias aplicações comerciais. Ao caçar o inocente bichinho estranho você enviaria, de graça, informações sobre ambientes internos, como de sua casa, apartamento e de órgãos públicos. Isso complementaria o mapeamento mundial de áreas externas feitas pelo Google. 

Bem, o fato é que a partir do momento em que liga seu celular ou computador você já passa informações sobre sua vida pessoal para o “Grande Irmão”, independente do Pokémon GO. Mas quem vai deixar de usar o celular ou de entrar numa rede social? Então, porque não Pokémon GO? Mas, como toda febre, a temperatura já está baixando.

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