sábado, 23 de abril de 2016

Harley-Davidson V-Rod Muscle e o espírito de liberdade sobre duas rodas

Por Jorge Massarolo
A Harley-Davidson V-Rod Muscle surgiu da inspiração de dragsters,
superbikes e da herança das motos de corrida da marca
Todo apaixonado por motocicletas tem o sonho de um dia ter uma lendária Harley-Davidson na garagem, ou então, pelo menos dar um passeio com ela. E foi com essa ansiedade que fui até São Paulo buscar minha primeira Harley para avaliação para o Correio. Por fotos, já tinha visto que V-Rod Muscle era um “monstro” no bom sentido para uma motocicleta, mas, ao vê-la de perto, fiquei impressionado. A moto mede 2,4 metros de comprimento e pesa 307 quilos. O pneu traseiro é imenso, tem 249 milímetros de largura e seu design agressivo, imponente e futurista geram uma tremenda adrenalina.
Acostumado com a leveza das motos esportivas e trail, fiquei pensando como é que eu ia me virar com aquele gigante no trânsito de São Paulo, que evito a todo custo. Esta não é uma moto para cidade, pensei. É pura estrada. Entre ansioso e tenso, dei a partida — um sensor de aproximação ativa e desativa a ignição e o alarme. Esperava um ronco estrondoso, estilo Harley-Davidson, mas o que ouvi foi um barulho manso, mas denso, nada ruidoso para um motor de 1.247 cm³ com 122 cv de potência. Engatei a primeira marcha, saí de mansinho e logo percebi a primeira diferença. Meus pés ficaram no ar, procurando as pedaleiras no local onde estariam automaticamente nas outras motos. Mas na V-Rod não. Elas estão lá na frente. E de cara tive que virar uma esquina. Devido a grande distância entre eixos, (1,7 metro), o ângulo de curva aumenta muito.
Foto: Divulgação

Escapamentos em cromo acetinado dão o toque final no estilo agressivo da V-Rod Muscle
Logo percebi que teria que mudar meu estilo de pilotagem. O corpo forma um “C”. O quadril fica lá atrás e os braços e pernas esticados para frente. Um problema para quem tem braços curtos. E lá fui eu. Logo entrei na Marginal Pinheiros. Em alguns momentos até ousei andar no corredor entre os carros, mas em boa parte do tempo me comportei como um veículo — o peso e dimensão da V-Rod não permitem manobras rápidas — até porque não gostei muito das buzinadas dos motoboys.
Painel
Como a via tem velocidade limitada, precisava controlar o tempo inteiro o acelerador do potente motor, e aí surgiu uma dificuldade. O velocímetro é analógico com os números pequenos e saltando de 20 em 20km/h. Era difícil saber com precisão onde estavam os 50km/h ou 70km/h, por exemplo, dois dos limites impostos na Marginal Pinheiros. Outro detalhe é que os números são pequenos e pintados de cinza sobre uma faixa preta no painel. Difícil de enxergar, dependendo do posicionamento da luz. O que em outras motos basta uma rápida conferida, na Muscle tinha que perder mais segundos calculando a velocidade. O painel triplo — com velocímetro, conta-giros e medidor de combustível integrados — é montado no guidão de formato angular e com iluminação de LED. Bem, eu também gostaria de um computador de bordo e um prático indicador de marchas no painel, mas é uma Harley.



O painel triplo da V-Rod Muscle é analógico e segue a linha da marca
Sobrevivi ao teste de arrancada e logo entrei na Rodovia dos Bandeirantes. Eu e moto suspiramos aliviados, pois o caos do trânsito urbano não é para nós. Adoramos a liberdade da estrada. Não é preciso dizer que com um motor de 1.250 cilindradas basta puxar o acelerador e a velocidade parece não ter fim. O asfalto vai sendo engolido enquanto o velocímetro dispara. O motor é manso até 4.500 rpm, depois disso ele solta toda cavalaria pesada. É um soco de potência, como diz o slogan da própria Harley-Davidson.
Sai da frente porque a Muscle pede passagem. Aí entra todo o desempenho do arrojado projeto ciclístico da Harley. Ela é completamente estável, mas exige cuidado nas curvas, pois abre muito a dianteira e raspar a pedaleira é fácil. Outra característica deste motor, desenvolvido em parceria com a alemã Porsche, é a elasticidade, que evita ficar trocando de marcha todo o tempo.
Viagem
É uma moto para encarar uma boa viagem, no entanto, sua autonomia não é lá muito grande. O tanque comporta generosos 18 litros de gasolina, e, a uma média de 15km/l, vai ter que parar a cada 250km para abastecer. Detalhe: o tanque fica sob o banco do piloto, o que torna o centro de gravidade mais próximo do chão, aumentando a estabilidade.
A Harley-Davidson V-Rod Muscle é uma moto que impõe respeito tanto na estrada como na cidade. Ela chama a atenção por onde passa. São elogios pela beleza e design. Com seu largo pneu traseiro, perfil baixo, agressivo e guidão inspirado em dragstrip, ela é bonita e poderosa.

A lanterna traseira em LED da V-Rod Muscle "abraça" o para-lama e acentua o enorme pneu de 240 milímetros
As diferenças estão nos detalhes, como as luzes indicadoras de direção em LED, que estão integradas às hastes dos espelhos retrovisores. Os indicadores de direção ficam posicionados em cada lado do guidão e desligam automaticamente. Bem prático. Na traseira, as lanternas e luzes indicadoras, também em LED, abraçam o para-lama e acentuam o enorme pneu traseiro. O assento tem um design côncavo, baixo, o que reforça a sensação de segurança e de controle. Quanto a vibração e o calor emanado do potente motor, achei dentro da normalidade.
A Harley-Davidson também caprichou no sistema de exaustão, que é formado por dois escapamentos laterais, retos, com acabamento em cromo acetinado. Por fim, a V-Rod Muscle é uma máquina esportiva para um público jovem em busca do espírito de liberdade sobre duas rodas, marca da lendária Harley-Davidson.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Cotegipe realiza sua Expo Barão 2016 na primeira semana de abril

Feira será realizada no pátio da Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário do dia 7 a 10 de abril


Cotegipe realiza neste final de semana a 8ª Edição da Expo Barão. O evento acontece nos dias 7, 8, 9 e 10, no pátio da Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário. Serão cerca 150 expositores. Nos pavilhões e tendas a comunidade regional vai conferir: exposição de pequenos animais, agroindústrias, indústria, comércio e serviços, máquinas e implementos agrícolas, veículos, shows culturais com grupos locais e Praça de Alimentação.

A banda portoalegrense de rock Detonautas é uma das
atrações da feira



A programação inicia com a Abertura Oficial dos estandes e está marcada para o dia 7, seguida dos shows Roger Henrique e Gustavo e Loirinha do Forró. No dia 8, acontecem os shows com a banda Os Filhos da Neiva e os roqueiros Detonautas. Para o sábado, dia 9, está confirmado o mega show com os sertanejos Munhoz e Mariano. A Expo Barão encerra no domingo, com os shows de Tchê Sarandeio e Adson e Alana.

O acesso ao parque de exposições é gratuito, porém, para os shows estão sendo comercializados ingresso individual ou passaporte. Os ingressos podem ser adquiridos em Barão de Cotegipe: na Prefeitura Municipal e no Quiosque instalado na Avenida Angelo Caleffi; em Erechim: Lojas Leve e Garapa’s Pastelaria, e em Getúlio Vargas, no Fuxicão Lanches. Também, podem ser comprados pelo site: https://ticketmais.com.br


Outras informações sobre a Expo Barão 2016 estão disponíveis no site www.baraodecotegipe.rs.gov.br e no facebook oficial da Feira.

Fonte: Prefeitura de Barão de Cotegipe

sábado, 12 de março de 2016

XT660R e Ténéré 660Z, "írmãs" Yamaha boas de briga

Por Jorge Massarolo


Fotos- Verônica Cardoso
A XT 660R é espartana e ágil, boa para andar na cidade e se divertir na terra, mas falta conta-giros e marcador de gasolina no painel

Traçar um paralelo entre XT 660R e a Ténéré 660Z com ABS é como comparar, a grosso modo, duas irmãs. Afinal, elas têm origem na mesma família, o mesmo motor monocilíndrico de 659,7 cilindradas, 4 tempos, SOHC e refrigeração líquida, 4 válvulas e potência máxima de 48 cv a 6 mil rpm, mas o mapeamento eletrônico é diferente. Justamente para adequar aos perfis de cada modelo.

É esta pequena diferença que torna a XTR mais explosiva. Na família, ela seria a jovem rebelde, forte, potente, cheia de energia e pronta para sair com o nariz empinado e jogando pedra para trás a qualquer momento. Já a Ténéré tem todas as características da irmã rebelde, mas é mais controlada e madura.
A lendária Ténéré 660Z é uma Touring Adventure e chama a atenção por onde passa pelo seu estilo imponente e agressivo, com destaque para o para-brisa 


As duas têm a mesma altura, 865 milímetros do solo, o que exige um pouco mais de perna do piloto, mas a Ténéré passa a impressão de ser mais alta devido ao grande tanque de combustível que comporta 23 litros, contra 15 da XTR. Aí já dá para perceber o perfil de cada uma. A Ténéré foi concebida para a estrada, apesar de enfrentar tranquilamente o trânsito urbano. Rodei cerca de 800 quilômetros, sendo uns 450 na estrada e obtive a satisfatória média de 21km/l, ou seja, o tanque dá uma autonomia de até 450km, ideal para longas viagens. Já na cidade, esta média cai para 18km/l.


ESTRADA
Falando em estrada, outra diferença entre as duas motos é o para-brisa frontal que equipa a Ténéré. Enquanto na XTR o peito recebe toda a resistência do vento, tornando uma viagem acima de 130km/h mais cansativa, na Ténéré o para-brisa desvia o vento para os lados e para cima. É possível manter alta velocidade confortavelmente. No entanto, se o piloto for um pouco mais alto, o para-brisa joga o vento no capacete, provocando turbulência e barulho. Para evitar isso, muitos motociclistas têm adaptado defletores para deslocar o ar mais para cima.


Se a Ténéré reina na estrada, a irmãzinha rebelde leva vantagem no trânsito urbano. Ela é ágil, esperta, fácil de manobrar, se esgueira entre os carros com grande facilidade, como se fosse uma moto menor. A Ténéré também faz tudo isso, mas seu porte avantajado não permite muitas liberdades. É bom lembrar que a Ténéré pesa 215kg, contra 181kg da irmãzinha, uma diferença de 34kg. No entanto, sua altura permite trafegar livremente pelos corredores sem atingir nenhum retrovisor. Do asfalto para a estrada de terra, não precisa falar muito. A Ténéré foi sete vezes campeã do rali Paris-Dakar. A XTR segue a mesma linha e por ser mais espartana, é mais leve para encarar terrenos acidentados.


APAGÃO
O câmbio das duas motos é preciso, mas o da XTR ganha em maciez. A troca de marchas na Ténéré, principalmente em baixa velocidade, produz um estalo muito forte. As duas motos exigem a troca constante de marchas e não é aconselhável deixar cair a rotação, pois o motor “apaga” mesmo em movimento. Aconteceu duas vezes comigo na Ténéré. Levei um susto, pois uma vez estava em uma curva e na outra tinha uma fila de carros atrás.

Outro detalhe que incomoda na Ténéré é ter apenas uma saída de escapamento do motor, o que acaba concentrando todo o calor no lado esquerdo, esquentando a perna do piloto e do carona em qualquer velocidade. Na XTR não há esse problema, pois os dois canos que saem do motor dissipam muito bem o calor.

A Ténéré 660Z, com freio ABS,  encara qualquer terreno, mas seu forte é a estrada


EQUIPAMENTOS
Parece até que a XTR está levando vantagem em relação à Ténéré, mas não é bem assim. O farol da estradeira ilumina muito bem. Não que o da XTR seja ruim, mas o da Ténéré é superior. Ambos os painéis são digitais, mas o da XTR não tem conta-giros e nem marcador de combustível. Vem com o básico, velocímetro, hodômetro total e dois parciais e hodômetro de combustível (F-Trip), uma luz amarela que indica quando entra na reserva (ainda restam 5l) e relógio. Já o da Ténéré é bem posicionado e basta o piloto mover os olhos para verificar os instrumentos. Tem conta-giros analógico e marcador de combustível digital, além de odômetro total, parcial e o de combustível. Um indicador de marchas e um computador de bordo seriam bem-vindos, principalmente por ser uma moto estradeira. 

No quesito frenagem, a Ténéré vem equipada com freio ABS, dois discos dianteiros de 298 milímetros e um traseiro de 245mm. Já a XTR não tem ABS e vem com apenas um disco dianteiro de 298mm e um traseiro de 245mm. Isso significa que, em qualquer freada brusca, o pneu traseiro arrasta. Quanto a parte ciclística, as duas motos apresentam excelente suspensão, estabilidade e capacidade para encarar qualquer terreno.

RESUMO
Por fim, a lendária Ténéré é uma Touring Adventure, com foco em viagens longas com conforto. E devido ao seu estilo imponente, agressivo e belo, chama a atenção por onde passa. Já a XTR é uma trail grande, com versatilidade para o uso no dia a dia, mas que nos finais de semana gosta de brincar na terra. Sem dúvida, as duas irmãs cumprem os objetivos a que foram criadas.

A XT 660R 'é uma trail grande, com versatilidade para o uso no dia a dia, mas que nos finais de semana gosta de brincar na lama


sábado, 23 de janeiro de 2016

Parabéns Barão de Cotegipe

A nossa bucólica Barão de Cotegipe completa mais de meio século de vida oficial (51 anos) neste 23 de janeiro de 2016. É uma cidade bastante jovem e com muita vida pela frente. Que continue sempre crescendo de forma politicamente correta, oferecendo qualidade de vida aos seus cidadãos e boas lembranças à aqueles que nela nasceram. 


Parabéns Cotegipe.




sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

2016, bom princípio


Ufa, que ano, hein? Ano da intolerância política, social e racial. Fazia muitos anos, ao longo da minha existência, que não via nervos tão acirrados assim. O cineasta Cacá Diegues, em uma entrevista sobre o ataque político sofrido por Chico Buarque no Rio de Janeiro, comentou sobre o avanço da “intolerância burra” no País. As agressões estão saindo da esfera virtual e partindo para o real. Tornou-se arriscado manifestar opinião política sob o risco da agressão verbal e física. Isto se via no contexto de fanáticos por times de futebol, dentro e fora dos estádios. Agora não.

Mas, ainda bem que hoje é o último dia do ano. Vamos aproveitar os rituais de passagem e fazer nesta virada uma lavagem cultural e política. Vamos jogar no mar, ou no ar, a “intolerância burra e violenta” que assustadoramente cresce no País. Sei que é ingênuo falar desta forma, mas vale a pena tentar. Aqui cabe o velho chavão “tamo junto”. Sim, estamos no mesmo barco e se cada um remar para um lado, ele não sai do lugar.

Quando parei para escrever este texto havia pensado em algo mais poético, mais leve, mas ele acabou enveredando para este lado, talvez para expurgar as barbáries de 2015 (lama rio abaixo, ataques na França, ataques no congresso, inflação etc).  Então, vamos agradecer o ano que está indo embora, mesmo que ele não tenha sido exemplar em tudo (sempre temos algo bom a festejar), e à zero hora vamos resetar a máquina. É um reiniciar hipotético, mas que dá forças, energia e esperança para tocar mais um ano em nossas vidas. E vamos combinar que em 2016 seremos menos intolerantes.

Como dizia um “vecchio talian” lá da minha cidadezinha no interior do Rio Grande do Sul, a cada virada de ano, ao sabor de várias taças de vinho tinto feito com uva colhida no sítio: Buon principio e coraggio nene”. Vamos precisar. Lá também havia a tradição de, logo cedinho, as crianças irem bater nas casas de vizinhos, amigos e parentes e desejar bom princípio de ano. Em troca, a pessoa homenageada nos presenteava com doces ou algum trocadinho. Era um bom começo.

Feliz 2016 a todos nós.

Veja mais temas para leitura

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...