sexta-feira, 18 de julho de 2014

Manhã de inverno






A lua ainda banha a geada nos telhados quando o galo canta. Seu Albino tira as cobertas e levanta da cama. Seu 1,95 de altura e quase 100 quilos, cansados pela idade, exigem um pouco mais de esforço. O termômetro sobre a cômoda aponta 2 graus. Coloca meias grossas, botas de cano alto, o velho capotão de lã, boné de feltro, e caminha lentamente para que o assoalho de madeira da cinquentenária casa não ranja e acorde a mulher e os filhos.


Na cozinha, abre a caixa de lenha e as encaixa no fogão. Joga algumas gotas de querosene na lenha seca, risca um palito de fósforo e logo chamas vermelhas e amarelas surgem. Pega a chaleira, enche com a água gelada que sai da torneira e coloca sobre a chapa do fogão. Enquanto a água esquenta, põe erva na cuia e prepara seu chimarrão. Depois, senta em frente ao fogão e esquenta as mãos com o calor que começa a sair. Pela janela da cozinha observa os primeiros raios de sol banharem o alto do pé de pera que fica logo em frente à casa. “O dia vai ser frio, mas muito bonito”, pensa.

Minutos depois a chaleira começa a chiar. Levanta, coloca água na cuia e volta a sentar para saborear seu café matinal. O calor do fogão agora aquece toda a cozinha. Sua mulher senta ao seu lado e compartilha algumas cuias de chimarrão. Os dois conversam sobre o frio, sobre o dia que começa a nascer. Ele toma mais uma cuia, abre a porta e sai para alimentar os animais.

O ar gelado da manhã corta seu rosto e deixa o nariz vermelho. As botas pisam sobre a geada que ainda cobre a grama do quintal. Sua cachorra perdigueira deixa a varanda onde dormiu sobre panos cuidadosamente arrumados por ele na noite anterior, se espreguiça e caminha ao seu lado. Albino vai ao velho galpão de madeira, pega um balde de ração e leva até a estrebaria onde está a vaca holandesa batizada de Estrela, devido a uma estrela branca que tem no pelo negro da testa. Volta ao galpão e pega outra porção de ração, agora para o porco. As galinhas são as últimas a serem alimentadas com grãos de milho. Antes de voltar para o interior da casa, retira os panos que sua mulher colocou sobre flores e verduras para não serem queimadas pela geada. Todas estão salvas. Os brotos da parreira também escaparam do frio.

Café

Então ele volta para casa e encontra mulher e filhos tomando café no calor da cozinha. A chapa do fogão está tomada por fatias de polenta com queijo derretido e pedaços de salame, leite quente, café, batata doce, uma panela com pinhão e outras já com a comida para o almoço. Albino senta com os filhos, toma seu café reforçado, conversa e depois os acompanha até o portão para irem à escola. O sol começa a esquentar a terra e derreter a geada. As crianças correm brincando para se esquentar.

Ele as observa dobrarem a esquina e então se dirige para sua ferraria. Seu irmão já está ao lado da forja quente, tomando chimarrão. Enquanto os dois irmãos conversam, chegam clientes e amigos que compartilham comentários sobre a geada e sorvem a água quente do chimarrão.

O frio deixa o ferro da bigorna queimando as mãos, mas eles estão acostumados. Logo pegam nos pesados martelos e começam a transformar o ferro em brasa que sai da forja em ferraduras. As batidas secas de ferro contra ferro soam como um despertador para a pequena comunidade onde moram.

Logo, os dois irmãos estão suados e vão se livrando dos pesados agasalhos. Lá fora, alguns pontos de geada ainda resistem aos raios do sol. Seu Albino para alguns segundos na porta da ferraria para aquecer o rosto ao sol. Olha para o alto da torre da igreja à sua frente. Os raios do sol passam por entre a cruz, formando imagens de calendário religioso. “Só falta aparecer Deus”, pensa seu Albino, brincando com ele mesmo, que é um católico fervoroso. Pessoas agasalhadas começam a movimentar as ruas. O som metálico do martelo na bigorna o chama para o trabalho, em mais uma manhã de inverno.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Empresas de ônibus montam esquema para evitar rodovias bloqueadas

Em função das rodovias que estão bloqueadas ao trânsito no norte do estado e divisa com Santa Catarina (SC), duas das principais empresas de transportes coletivos que atendem itinerários interestaduais, montaram alternativas para os usuários. 

A Unesul em Erechim optou por cumprir seus itinerários fora do estado, especialmente de cidades de Santa Catarina e do Paraná, com ônibus saindo da rodoviária de Passo Fundo. Para quem deseja pegar o ônibus das 19h45min que desloca-se para Chapecó, Francisco Beltrão, Cascavel e Foz do Iguaçu, entre outras cidades no mesmo trajeto, a empresa colocou à disposição dos usuários da região de Erechim um ônibus que sai da Estação Interestadual de Erechim diariamente às 18h e vai até Passo Fundo onde às 19h45min pegam o ônibus que vai a Santa Catarina e Paraná. 

Nos outros horários do dia e diferentes cidades dos estados vizinhos, os ônibus saem nos horários de rotina, mas sempre partindo de Passo Fundo. De Erechim a Passo Fundo o usuário opta como se desloca.

Reunidas

A empresa Reunidas que mantém horários e itinerários de Erechim para Florianópolis, Curitiba e Sã Paulo, passando por várias outras cidades, optou por fazer o embarque dos passageiros na estação rodoviária de Concórdia (SC). Todos os dias, às 14h, os usuários podem se deslocar com um ônibus que a empresa disponibiliza de Erechim passando por Aratiba, Itá e Concórdia. Para Curitiba e São Paulo o ônibus sai diariamente às 17 de Concórdia (SC). 


A empresa também tem um ônibus especial para levar passageiros até Passo Fundo para quem deseja viajar a outras cidades dos estados vizinhos. O ônibus especial sai de Erechim às 21h e em Passo Fundo é possível pegar outro coletivo para cidades catarinenses, paranaenses de paulistas às 22h15min.

As duas empresas continuam vendendo passagens para todas as cidades em Erechim, mas o deslocamento extra de Erechim a Concórdia (SC) ou de Erechim a Passo Fundo, para pegar os ônibus do interesse de cada usuário, é por conta do passageiro. Na manhã desta quarta-feira, 2, o movimento nas duas empresas da estação rodoviária interestadual praticamente inexistia. Os poucos usuários que apareciam no balcão buscavam informações. É possível que nos próximos dias as empresas encontrem e ofereçam novas opções, mas desde o bloqueio da BR 153 na divisa do RS com SC no Estreito e da RSC 480 no km 6, entre Erval Grande e a divisa com Santa Catarina, essas são as alternativas disponíveis para quem deseja viajar de ônibus,a partir de Erechim, para outros estados.

Por José Adelar Ody/BV Online
www.jornalboavista.com.br

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Mundo verde-amarelo na TV

No começo o impacto foi maior, agora já me acostumei, mas mesmo assim estou enjoado da overdose de comerciais ufanistas na televisão. Todos com a mesma fórmula: cores verde-amarela, multidão de gente correndo pelas ruas com bandeiras gigantescas, alegres, sorridentes, cantando olas ao Brasil. Sem dúvida, são comerciais bonitos, primorosos na qualidade da imagem e som. Mas cansei de ver idoso caracterizado como favelado, rosto sofrido, cabelo desgrenhado, com a camisa da Seleção e a Bandeira do Brasil na mão, dando seu sorriso 1001 para mim, em câmera lenta. Aliás, é um abuso de imagens em câmera lenta enaltecendo sorrisos de um povo feliz. 

E os comerciais com as rodinhas de samba num bar de esquina, cerveja na mesa e mulatas e loiras gostosas sambando sem parar? Um Brasil alegre demais, muito melhor do que qualquer país do primeiro mundo. Não é por nada não, mas pesquisa divulgada esta semana pelo Instituto Gallup World Poll mostra que o brasileiro continua a ser o povo com mais confiança no futuro. Com nota 8,8, numa escala de 0 a 10, o Brasil lidera o ranking mundial pelo oitavo ano consecutivo. Uma bela munição para publicitários mostrarem que nosso País é uma maravilha, somos alegres, coloridos, sorridentes e sempre dispostos a dançar na rua, na favela, no bar. 


Mas o que mais me indigna são aqueles belos comerciais patrocinados por bancos, exploradores contumazes dos nossos pobres recursos financeiros, usando sempre imagens em câmera lenta para realçar o sorriso de uma criança, da mãe, do trabalhador pendurado num prédio, do motorista de ônibus. Você até acha bonito, só que é o mesmo banco que está cobrando uma taxa absurda e um juro altíssimo na sua conta. E os comerciais das estatais, como da Petrobras, com aquele monte de trabalhadores alegres e felizes trabalhando em plataformas em alto-mar. Ah, quanta felicidade.


As propagandas de automóveis logicamente não ficaram de fora. É só alegria, festa, uma mocidade descompromissada com a vida, curtindo estradas, trilhas nas matas, nas praias, ou enfiando um monte de gente nos carros para mostrar que eles são os melhores do mundo. Pena que os preços nunca caem, só sobem. E dá-lhe alegria. 


E aquele povo no interior do nada, vivendo de farinha, mas que está contente, feliz com a Copa do Mundo no seu país, apesar de não ter luz elétrica e nem água encanada. Esqueceram de colocar na roda festiva a classe AA do País. Pensando bem, não seria legal mostrar eles em seus vastos apartamentos e casas tomando champanhe e assistindo aos jogos em TVs ultrahiperfull HD do tamanho de uma parede, e sendo servidos por mordomos. Não, isso não seria legal, não tem gente desdentada e eles também não saem correndo pelas ruas carregando bandeiras. 


De mau gosto são os comerciais de um fabricante de cerveja que satiriza visitantes italianos e ingleses. O mau gosto se agrava com os hermanos argentinos, que, no comercial, são colocados em um navio, lançados ao mar, e, na cena seguinte, um míssil é lançado do litoral em direção à embarcação. 


Pior ainda é aquela maca cor de laranja usada pela Fifa para remover jogadores abatidos em campo. Parece um daqueles caixões usados para carregar mortos no rabecão. Pintaram de laranja para não ficar tão macabro. Dizem que é o padrão Fifa. E dá-lhe Brasil.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Eternos namorados - 50 anos de vida em conjunto

Publicado  no jornal 
CORREIO POPULAR

07/06/2014 - 05h00 



Hoje à noite, a mil quilômetros de Campinas, minha irmã e seu marido comemoram com amigos, vizinhos, filhos, noras e netos, 50 anos de vida em conjunto. Dividir o mesmo lar com outra pessoa por 50 anos é algo, hoje em dia, coisa do passado. Assim como a internet, a vida amorosa é instantânea, rápida e rasa. O grande amor começa hoje e termina amanhã. E são muitos os motivos para não se perpetuar um casamento, portanto, a novidade é alguém ficar junto com outro alguém por livre, espontânea e amorosa vontade, durante 50 anos.

Minha irmã e seu marido se conheceram ainda jovens e casaram jovens. Ela, dona de casa, mas que logo encontrou uma atividade para ajudar o marido na renda familiar. Ele, um homem tranquilo, estudioso e dedicado à religião. Era, e sempre foi, voluntário na comunidade. Ajuda desde o padre na igreja e o professor na escola até o time de futebol, esporte que adora e joga até hoje, junto com os filhos e amigos. Seu outro esporte preferido é a bocha. A passagem pelo Clube Internacional todo domingo é sagrada, mas não é somente ele que participa da vida comunitária. Minha irmã o acompanha em todas as atividades. É um casal reconhecido na cidade.


O tempo passou e eles sempre demonstrando amor e carinho pela vida conjunta. Dessa união, nasceram dois meninos. O amor se afirmando em cada palavra, gesto, cor ou símbolo. Os filhos, assim como vieram para alegrar a casa, saíram para cuidar de suas vidas. Aquele lar, antes cheio de gente, agora é só deles, e eles gostam disso. Vivem aquela cumplicidade de casal amoroso. É gostoso de ver. E logo vieram os netos trazer mais alegria.

O tempo passou e o casal chegou aos 50 anos de vida conjunta. E quando a idade e a aposentadoria chegaram, eles não se entregaram. Ele voltou a estudar para completar aquilo que tinha sido obrigado a deixar para trás. Nas horas vagas, entrou para um coral italiano. Logo levou a mulher para também participar.

Hoje à noite eles pretendem se divertir, dançar, cantar, rir muito e brincar com os filhos, netos e amigos dessa longa jornada. Infelizmente não poderei participar desse momento glorioso na vida de um casal. Cinquenta anos depois, o amor entre os jovens continua mais vivo do que nunca. E há mais motivos para isso, no próximo dia 13, dia de Santo Antônio, minha irmã faz aniversário, mas antes disso, dia 12 é o Dia dos Namorados, um dia feito para eles e para as pessoas que mantêm o amor vivo em suas vidas. Que sejam felizes pela eternidade.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Cotegipe cresce no ranking nacional de desenvolvimento municipal



O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), divulgado pela Sistema Firjan, aponta que Cotegipe vem crescendo anualmente desde 2005 nas áreas de educação, saúde, emprego e renda. 

O estudo acompanha anualmente o desenvolvimento socioeconômico de todos os mais de 5 mil municípios brasileiros e é feito, exclusivamente, com base em estatísticas públicas oficiais, disponibilizadas pelos ministérios do Trabalho, Educação e Saúde.


De acordo com a Firjan, no ano de 2011, data base da pesquisa, Cotegipe conquistou o índice 0.7307 e ocupa o 167º lugar  no ranking  estadual e o 1.136º no  no ranking  nacional

Em 2005, o índice era 06,009 e o município ocupava o 320º lugar  no ranking  estadual e  posição 2.074º  no ranking  nacional. Certamente houve uma grande evolução na qualidade de vida dos cotegipenses.

Veja o quadro


EVOLUÇÃO ANUAL - DE 2005 A 2011
IFDM CONSOLIDADO : BARÃO DE COTEGIPE - RS
0.60090.61300.67100.67410.72320.72480.7307200520062007200820092010201100.20.40.60.81




De acordo com a pesquisa, o setor saúde foi que mais cresceu, atingindo o índice 0.9341, no entanto, o setor de trabalho e renda ficou no amarelo, com o índice 0,5125, que é classificado pela Firjan como um desenvolvimento regular. 

Veja o quadro abaixo





IFDM E INDICADORES
BARÃO DE COTEGIPE - RS (2011)
IFDM E ÁREAS DE DESENVOLVIMENTO

0.73070.74550.93410.5125IFDMEducaçãoSaúdeEmprego e Renda00.20.40.60.81
aAlto desenvolvimento 
(superiores a 0,8 pontos)
 aDesenvolvimento moderado 
(entre 0,6 e 0,8 pontos)
 aDesenvolvimento regular 
(entre 0,4 e 0,6 pontos)
 aBaixo desenvolvimento 
(inferiores a 0,4 pontos)



ERECHIM



O destaque da pesquisa fica para Erechim, que ocupa o quinto lugar no ranking estadual e o 85º  lugar  no ranking  nacional com o índice 0.8430, em 2011, data da atualização da pesquisa da Firjan. 


















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