sábado, 23 de janeiro de 2016

Parabéns Barão de Cotegipe

A nossa bucólica Barão de Cotegipe completa mais de meio século de vida oficial (51 anos) neste 23 de janeiro de 2016. É uma cidade bastante jovem e com muita vida pela frente. Que continue sempre crescendo de forma politicamente correta, oferecendo qualidade de vida aos seus cidadãos e boas lembranças à aqueles que nela nasceram. 


Parabéns Cotegipe.




sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

2016, bom princípio


Ufa, que ano, hein? Ano da intolerância política, social e racial. Fazia muitos anos, ao longo da minha existência, que não via nervos tão acirrados assim. O cineasta Cacá Diegues, em uma entrevista sobre o ataque político sofrido por Chico Buarque no Rio de Janeiro, comentou sobre o avanço da “intolerância burra” no País. As agressões estão saindo da esfera virtual e partindo para o real. Tornou-se arriscado manifestar opinião política sob o risco da agressão verbal e física. Isto se via no contexto de fanáticos por times de futebol, dentro e fora dos estádios. Agora não.

Mas, ainda bem que hoje é o último dia do ano. Vamos aproveitar os rituais de passagem e fazer nesta virada uma lavagem cultural e política. Vamos jogar no mar, ou no ar, a “intolerância burra e violenta” que assustadoramente cresce no País. Sei que é ingênuo falar desta forma, mas vale a pena tentar. Aqui cabe o velho chavão “tamo junto”. Sim, estamos no mesmo barco e se cada um remar para um lado, ele não sai do lugar.

Quando parei para escrever este texto havia pensado em algo mais poético, mais leve, mas ele acabou enveredando para este lado, talvez para expurgar as barbáries de 2015 (lama rio abaixo, ataques na França, ataques no congresso, inflação etc).  Então, vamos agradecer o ano que está indo embora, mesmo que ele não tenha sido exemplar em tudo (sempre temos algo bom a festejar), e à zero hora vamos resetar a máquina. É um reiniciar hipotético, mas que dá forças, energia e esperança para tocar mais um ano em nossas vidas. E vamos combinar que em 2016 seremos menos intolerantes.

Como dizia um “vecchio talian” lá da minha cidadezinha no interior do Rio Grande do Sul, a cada virada de ano, ao sabor de várias taças de vinho tinto feito com uva colhida no sítio: Buon principio e coraggio nene”. Vamos precisar. Lá também havia a tradição de, logo cedinho, as crianças irem bater nas casas de vizinhos, amigos e parentes e desejar bom princípio de ano. Em troca, a pessoa homenageada nos presenteava com doces ou algum trocadinho. Era um bom começo.

Feliz 2016 a todos nós.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Natal é a alegria no rosto da criança

Lá vem o Verão, com seu calor, amor e prazeres. Entramos na estação mais esperada e festejada. Sinônimo de Natal, Ano-Novo, fim de aulas, férias, banho de mar, de rio, de cachoeira, sorvete, bebidas, praia lotada, viagens, congestionamentos, dengue e muita gente por todos os lados. É a loucura provocada pelo sol da estação.
E junto com o Verão vem o tão esperado Natal. É um período de fortes emoções, lembranças, saudades, reencontros, trocas, e de muita alegria. Não dá para ficar insensível a ele. O Natal é o reflexo da alegria no rosto da criança com seu brinquedo novo. É o ritual de desejar felicidades a todos, sair na rua com um sorriso para uma pessoa que você nunca viu. De orar para o seu Deus e agradecer por mais um ano que passou. Quer você queira ou não, é Natal. Muitos fazem de tudo para fugir dele, mas me parece impossível. 
Então se renda. Aproveite, seja uma criança e entre no espírito natalino. Brinque, espere com ansiedade o presente, mesmo que seja um par de meias. Presenteie quem menos espera que você faça isso. Vai fazer muito bem a você e a todos que te cercam. Pegue o telefone e ligue para aquele parente ou amigo distante. Esqueça as diferenças. Energias positivas sempre trazem boas mudanças. Não adianta dizer que está velho para isso. O espírito natalino não envelhece, talvez perca um pouco o brilho. Isso é fácil de resolver. Basta dar uma polida nele.
Talvez, na infância, o Natal não tenha sido aquelas coisas. Ao invés da tão esperada boneca Barbie, veio a Susi. Ou no lugar da bicicleta um carrinho de plástico. Aliás, um presente que me marcou foi uma picape verde, de plástico, que ganhei do meu padrinho. Um brinquedo simples, que garantiu muitos dias de alegria na estradinha de terra feita no quintal, como se fosse um carro de verdade. Pura imaginação. Isso é fundamental. 
O espírito natalino está aí dentro de você. É só dar uma polida nele e ter um excelente Feliz Natal. É o que desejo a você.
Crônica publicada no jornal Correio Popular, 24/12/2015

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Antro de quadrilhas

Deputados discutem na Comissão de Ética: vergonha


O fim de ano está chegando e temos o que comemorar. Em algum momento, caro leitor, você imaginaria que veria deputados, senadores, banqueiros e donos de ricas empreiteiras (citando só as principais, Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, UTC) do País na cadeia?

Você imaginou que ministros teriam suas casas vasculhadas pela Polícia Federal? Imaginar até que sim, mas que isso viraria realidade era um desejo distante neste Brasil marcado pela impunidade.

Estamos fechando o ano com uma pancada desses influentes personagens da vida nacional atrás das grades e muitos outros estão na fila. Já sentimos reflexos em Campinas e Paulínia. Pode-se falar o que quiser deste governo, mas em qual outro vimos isso acontecer? Calma, não estou defendendo ninguém, só estou refletindo aqui com meus botões.

Sempre soubemos que essa farra com o dinheiro público existia, mas nunca nada tão sério e profundo como o juiz Sergio Moro está promovendo, foi feito.

O fato é que são poucos os políticos que estão dormindo tranquilos. A cada dia uma quantia generosa deles tem o sono interrompido pelas fortes batidas na porta de suas mansões por homens da Polícia Federal. Dos lençóis de seda são levados para os farrapos da cadeia. Alguns saem logo depois, mas sabem que a qualquer momento podem voltar para ficar um período bem mais prolongado. É visível o estado “acabado” em que ficam. Tiveram o reinado, a impunidade, a arrogância e o poder de influência abalados.

Na terça-feira, durante os acalorados debates na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados (tem que ter sangue de barata para assistir) um deputado falou a única coisa certa. “Aqui virou um antro de quadrilhas. Tem a quadrilha do Eduardo Cunha, a quadrilha da Dilma, a quadrilha do Renan e todos estão brigando entre si”. Perfeito.

O navio está afundando e os ratos brigam entre si para se salvar. Destaque para o deputado Eduardo Cunha e seus asseclas, que com sua astúcia, picaretagem, sede de poder e a maior cara de pau deste universo, conseguiu parar o País. Restam poucos dias para o ano acabar, mas ainda teremos muitas novidades no cenário nacional.
Após toda essa destruição, algo bom tem que surgir desse mar de lama. É uma oportunidade para mudar o curso da história. É evidente que o País precisa de uma reforma política, de uma nova forma de governo. No próximo ano teremos eleições municipais. Vamos começar 
por aí.
O ano de 2016 terá que ser melhor.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Mariana e Paris, indignação e compaixão



É difícil não escrever sobre dois temas que assombraram brasileiros e o mundo nos últimos dias. Aqui ao lado, em Mariana, tivemos o tsunami de lama que destruiu uma comunidade, matou 11 pessoas, acabou com a vida de um rio e deixou moradores de diversas cidades sem água, gerando consequências ambientais por muitos e muitos anos. O outro caso foi o brutal massacre promovido por um grupo terrorista do Estado Islâmico em Paris, que resultou na morte de 129 pessoas e mais de 350 feridos.

Nas redes sociais, principalmente no Facebook, no último final de semana grupos e indivíduos se esforçaram em menosprezar uma tragédia e enaltecer outra. Também culparam a imprensa de dar mais espaço ao massacre de Paris em detrimento do mar de lama em Mariana. Bobagem.


Estimo que quem pensa assim somente procurou ler jornal ou assistir ao noticiário na TV depois da tragédia de Paris, pois se tivesse se interessado um pouco mais sobre a tragédia de Mariana teria visto e lido que ela foi e continua sendo amplamente divulgada por todos os meios de comunicação. São páginas e páginas de jornal e horas e horas em rádios e TVs. Faltou interesse em saber sobre a maior tragédia ambiental do País.
Os dois casos são de extrema importância. Um delimitado geograficamente e o outro, protagonizado pelo grupo terrorista, alcança abrangência mundial, acirra o medo em todos os países e coloca o mundo em uma pré-guerra, numa visão mais ampla, ou numa guerra já iniciada, em uma visão localizada, contra a Síria. A consequência é o fechamento de fronteiras, o ódio crescente entre raças e credos e a desconfiança mútua entre cidadãos.
E o Brasil não está imune a isso. Em março, o governo brasileiro recebeu relatórios de órgãos de inteligência que detectaram tentativas do grupo terrorista Estado Islâmico de recrutar jovens brasileiros.

Naquela época, dez tinham sido cooptados para serem “lobos solitários”, prontos para serem ativados para atos homicidas em qualquer canto do mundo. As redes sociais são o canal de recrutamento dos terroristas. Um deles, Brain, filho de uma brasileira que mora na Bélgica, virou soldado do EI em 2012.
Em Minas Gerais há que se apurar a responsabilidade da mineradora e dos órgãos municipais, estaduais e federais pelo rompimento da barragem. E estes devem ser punidos pelas vidas perdidas, pelo soterramento na lama do belo distrito de Bento Rodrigues e agora pelos resíduos que descem pela calha do Rio Doce sufocando a fauna e a flora. Não há dinheiro que traga isso de volta.

São duas tragédias que não podemos esquecer: a do ódio e a do descaso.



Crônica publicada no jornal Correio Popular, 19/11/2015

Veja mais temas para leitura

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...