segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Cotegipe terá etapa do Campeonato Gaúcho de Rali

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O Campeonato Gaúcho de Rali de Velocidade vai ter uma etapa inédita em setembro. A terceira prova do ano na competição, acontecerá no município de Barão de Cotegipe, norte do estado, próximo à Erechim.
Esta será uma etapa inédita em termos de competição e também em formato de disputa. A corrida terá dois dias de programação, e não apenas um como era o formato das provas anteriores do Estadual.
No sábado, 5 de setembro, será dia de reconhecimento das especiais pelos competidores. Já a corrida acontecerá pela manhã de domingo, dia 6 de setembro.
E o grid de largada para a prova vai ficando cada vez maior, lembrando que o período para inscrições ainda está aberto. Até esta quinta-feira, nada menos que 19 carros já tinham presença garantida no grid de largada.
Equipes de várias regiões do Estado já garantiram presença na corrida. Entre eles estão os líderes nas suas categorias, como Ricardo Oro/Leonardo Dalla Rosa (RC5), Rafael Cabello/Marcio Barbieri (RC3) e Felipe Solimann/Cassio Navarini (RCR).
Se tem competidores de regiões como Serra, Norte e Centro do Estado, tem também de outros estados, como o paranaense Marco Malucelli, que competirá na categoria RC4, com o navegador gaúcho Vinicius Anziliero.
Duplas que também competem em nível nacional, já se inscreveram. Casos das duplas Cassandro Maloz/Luiz Felipe Trentin (RC5), e Fernando Solimann/Natasha Pedot (RC4). Confira abaixo a lista completa dos inscritos até agora na prova de Barão de Cotegipe.
PRÉ-LISTA DE INSCRITOS PARA O RALI DE BARÃO DE COTEGIPE
Categoria RC2 – 4×4
1 – Milton Pagliosa/André Pagliosa – Mitsubishi Lancer
Categoria RC3 – 4×2
1 – Rafael Cabello/Marcio Barbieri – VW Gol
2 – Fernando Mello/Tatiana Kokemper – VW Gol
3 – Alessandro Eccel/Marco Dorigon – Peugeot 206
4 – Leandro Bertuol/Diego Santolin – Fiat Palio
Categoria RC4 – 4×2
1 – Carminatti/Andrey Karpinski – GM Celta
2 – Cristiano Beus/Eloisa Weirich – Peugeot 206
3 – Fernando Solimann/Natasha Pedot – Peugeot 206
4 – José Barros Neto/Marco Marini – GM Celta
5 – Carlos Celuppi/Vinicius Zavierucka – Peugeot 206
6 – Marco Malucelli/Vinicius Anziliero – GM Celta
7 – Cleberson Casarotto/Cleiton Casarotto – GM Celta
Categoria RC5 – 4×2
1 – Vinicius Gobetti/Aureo Trevisan – Peugeot 206
2 – Ricardo Oro/Leonardo Dalla Rosa – GM Celta
3 – Cassandro Maloz/Luiz Felipe Trentin – Fiat Palio
4 – Daniel Barros/Giovani Bordin – VW Gol
Categoria RCR – 4×2
1 – Marcos da Silva/Mauricio da Silva – Fiat 147
2 – Felipe Solimann/Cassio Navarini – Ford KA
3 – Luciano Azevedo/Alessander Soares – Fiat Palio
Fonte: site 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Como nossos pais

Não adianta, não consigo me acostumar. Em toda partida o coração dói. É como se sempre fosse a primeira vez. Sei, sei, você vai dizer que criamos eles para o mundo. Claro, mas ainda não acostumei. Aliás, quanto mais velho, mais este sentimento fica forte. Bem, estou falando de filhos que saem de nossas asas e vão para o mundo. 

A distância não importa. Pode ser 50 ou mil quilômetros, o sentimento é o mesmo.

Jamais vou esquecer da primeira vez em que levamos nossa filha para estudar em uma universidade a cerca de 300 quilômetros de Campinas. Ela tinha 17 anos, saiu do Ensino Médio direto para a universidade. Lá fomos levá-la para sua nova casa, que seria dividida com uma colega desconhecida. A aflição minha e de minha mulher era gigantesca. Quem será essa pessoa? Como nossa filha vai se alimentar? A cidade é violenta? Como ela vai andar numa cidade estranha, pegar ônibus, voltar para casa sozinha à noite? 

Jamais vamos esquecer a cena de ela acenando da varanda do apartamento quando fomos embora. Andamos algumas quadras e minha mulher chorando, queria voltar e levá-la para casa. Ficamos nos convencendo de que esse era o destino, a vida exigia isso, afinal, ela estava entrando na universidade, vida nova, cheia de descobrimentos e sonhos, buscando uma definição, um rumo. Um processo pelo qual eu e ela também passamos. 

Pensávamos que ela estava “logo ali”, a 3 ou 4 horas de viagem. E podíamos falar com ela pelo celular, skype, a qualquer momento. Comunicação não era problema. A ausência física sim. Os dias, os meses seguintes foram pontilhados de saudades misturadas com preocupação em saber como ela estava. 

Claro, ela também sofria, mas sempre sorria e nos dizia que estava tudo bem e que estava aprendendo muito com a nova vida. Sim, um mundo de novidades se abriu para ela. Apesar de sentir saudades de casa, da família, era necessário dar este passo em direção ao seu futuro. E assim o tempo foi passando.

Impossível não pensar na mesma dor que meus pais sentiram quando também saí para estudar a mil quilômetros de casa. Uma viagem de ônibus durava mais de 14 horas. Naquela época, década de 80, o sistema de telefonia era precário e caro. Celular, skype, computador? Rs, rs, rs. 

Distância
Hoje, no papel de pai, fico imaginando o quanto era doloroso para eles saber que se algo grave acontecesse teriam dificuldade imensa em chegar até mim. Imagino quantas noites mal dormidas tiveram.

Bem, em seguida, foi a segunda filha que saiu para a universidade. O processo se repetiu. Mesmas aflições, preocupações, medos..., com quem vai morar?, a universidade é longe?, você está se alimentando bem?, quando vem nos visitar? Enfim, um desejo imenso de estar junto para enfrentar esta nova etapa da vida. 

E isso também aconteceu com nosso filho, que saiu para casar… mora praticamente ao lado de casa e está feliz no casamento e realizado profissionalmente. 

Por fim, o gostoso é saber que esses filhos foram para o mundo e estão vencendo esta luta existencial, que estão criando suas próprias vidas, suas identidades, suas famílias, suas profissões, suas realizações. Sabíamos disso desde o começo, mas somos sentimentais, somos tolos e não adianta. 

Toda vez que nos despedimos, um pedaço nosso vai junto com eles, para protegê-los, para amá-los, para sermos seus anjos da guarda, e assim seremos eternamente. Somos pais. Por sorte ainda temos um caçula de 11 anos, que vai demorar mais um tempinho …

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A goiabeira das crianças

A goiabeira da praça morreu. Depois de no mínimo 35 anos de serviços bem prestados às crianças da vila, ela se entregou. O tronco, crescido num canto da praça, ainda sustenta seus galhos secos e retorcidos, sem folhas e sem vida. Não era uma goiabeira qualquer, até porque ela nunca foi muito de dar frutos. Era uma árvore para crianças. Tinha lá uns quatro metros de altura e a divisão do seu tronco em galhos começava a um metro do chão. Era a miniatura de árvore que atraía a criançada.

Noventa e nove por cento das crianças que moraram na vila, alguns hoje com mais de 30 anos, brincaram nos então vigorosos galhos da goiabeira. Meus filhos fizeram isso e citar o nome de todas as crianças preencheria esta página. 

Para elas, subir em seus galhos era como dar os primeiros passos no mundo selvagem. Ali no alto estavam a salvo dos “vorazes” cachorrinhos com quem brincavam. Também era um ato destemido subir perante os colegas. Quem não conseguia era alvo de gozação. O escalador se sentia um verdadeiro Tarzan. Em seus galhos se balançavam, faziam malabarismos, pulavam e muitas vezes deixavam os pais com os cabelos em pé.

Lembro de um vizinho que tinha três filhos. Os dois maiores viviam em cima da árvore mas o menorzinho não conseguia de jeito nenhum. O pai não teve dúvidas, pregou umas tabuinhas na árvore e fez uma escadinha para o moleque subir e sentar no primeiro galho. Foi a glória.

A goiabeira tinha outras funções também. Nas festas juninas, a bancada de comida era colocada sob seus galhos, que também serviam para pendurar as lâmpadas e iluminar as guloseimas. Nada de food trucks. Quem foi a uma festa na Vila São João sabe disso. Estudantes também aproveitaram para montar uma pequena churrasqueira perto da goiabeira. Ficou por lá anos.

Ninguém sabe exatamente o que matou a goiabeira das crianças. Sua morte foi percebida recentemente. Às vezes, acho que ela foi sufocada pelas gigantescas árvores que orbitam ao seu redor e deixam passar pouca luz do sol. Mas não sou especialista em árvores. Às vezes, acho que foi a tristeza de ter sido abandonada pelas crianças das gerações X, Y, Z, que não estão muito interessadas em subir em árvores. Espero que não. 

Outra noite, vândalos deram o golpe final na pobre goiabeira. Da sala de casa, ouvi vozes e o barulho de galhos secos sendo quebrados. Abri a janela e o que vi me deixou muito triste. Dois rapazes, que certamente não têm o menor amor pela natureza, haviam quebrados vários galhos da goiabeira para fazer uma fogueira. Senti como se estivessem quebrando meus braços. Doeu muito. 

Felizmente, sei que a goiabeira deixou um legado na memória de crianças hoje adultas que estão espalhadas pelo mundo. Certamente, ela continua viva e verde em suas lembranças. Quem sabe, uma deles acabe plantando uma goiabeira em seu quintal ou em uma praça.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Último pedido


"E peço, quando eu morrer/ Não me por em cemitério/ Existe muito mistério/ Prefiro um lugar deserto/ E que o zaino paste perto/ Cuidando dos restos gaudérios"

O verso acima é do poema o Gaudério, do gaúcho João da Cunha Vargas (1900 - 1980), e que pouco foi além do aprendizado das primeiras letras. Morte é um tema difícil, mas é muito bem abordada pelo poeta, que teve uma vida simples nos pampas gaúcho. Ninguém gosta de falar sobre o assunto e aposto que muita gente já bateu três vezes na madeira. Pura bobagem. Ela tem dia e hora certa para chegar. 

Não há fuga. E quanto mais o tempo passa, mais ela vai se acercando. 
Lembrei do poeta gaúcho porque recentemente perdi pessoas muito queridas: o pianista Bebeto, o expert em música Sig, e o jornalista Jarson Frank. Os três foram abatidos por uma doença em comum, o câncer. 

A morte do Frank me tocou pelo fato de não vê-lo há muitos anos. Frank foi editor no meu primeiro emprego como jornalista no jornal O Estado, em Florianópolis. Era um homem culto, viajado e muito me ensinou sobre a profissão. Por várias vezes me programei para visitá-lo em Florianópolis, mas nunca concretizei a viagem. E dai veio meu arrependimento. Quando recebi a notícia da morte, era tarde demais.

O Bebeto conheci quando cheguei em Campinas, lá por 1988, por meio da minha mulher. Os dois eram grandes amigos e o Bebeto com frequência nos visitava ou então íamos em seus belos concertos. Professor, pianista e um verdadeiro gênio, fez história com seu talento e seu piano, e assim será lembrado.

O grande amigo Sig, apelido de Eduardo Simondi, era um profundo conhecedor de música e um exímio professor de matemática, além de um sujeito amigo e fraternal. Sabia de cor letras e melodias. Tinha uma vasta coleção de discos e CDs e era apaixonado por samba e chorinho. Mas, melhor de tudo, era um grande cara. Era comum vê-lo percorrendo as ruas de Barão Geraldo a bordo de sua bicicleta, sempre alegre e disposto. 

Mas a morte veio e levou os três. Não vou entrar em questão filosófica ou religiosa sobre a morte. É melhor tratá-la como o poeta Vargas Cunha trata, com respeito e consideração. É dolorida e também inevitável. 

Então, aproveite seu final de semana e visite aquele amigo ou parente que você não vê há muito tempo. Faça isso. Tire um tempo para uma conversa, um gesto de carinho e amizade. Ele vai se sentir acolhido e você vai se sentir bem. Digo isso porque não fiz a lição de casa com um velho amigo. 

E como diz João da Cunha Vargas em seu poema Último Pedido, cujos versos são melodiosamente cantados pelo também gaúcho Vitor Ramil:


Vou me juntar lá no céu / Onde só Deus bate asa / Não quero dar ‘Oh! de casa’
Que a porta grande se tranque / Que me espere no palanque / Churrasco gordo na brasa

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Fim de tarde



O fim de tarde tem algo a mais no ar. Uma confraternização involuntária, uma cumplicidade de termos vencido mais uma etapa de nossas vidas. Procuro estar em meio à multidão para ver as pessoas se despedindo do dia, mergulhadas em pensamentos de como foi sua rotina, carregando seus pertences, correndo para pegar o último ônibus para casa. Apesar da pressa e do cansaço os rostos mostram a sensação de mais um dia de dever cumprido.
É quando o sol está encerrando expediente e passando o bastão para a noite, que chega devagar, ainda com sono. É uma troca de turno lenta, marcada por um show de cores no céu, calmaria na natureza e uma mudança nos nossos hábitos. É quando o ritmo enlouquecido do dia cede à serenidade da noite.
É quando os amigos saem do escritório para o happy hour no bar da esquina. As amigas param na porta do prédio para contar as últimas novidades. O operário deixa seu cansaço junto com o uniforme na fábrica e para no boteco da esquina para tomar uma pinga com os amigos. O comerciante fecha a loja e suspira por mais um dia vencido, ou vendido. O estudante sai apressado do trabalho e corre para o seu segundo turno na escola. O calor do dia cede lugar ao frescor da noite. O agasalho que estava na mochila sobe para o corpo.
Gosto de ver a coreografia de passos pelas estreitas calçadas. Do mosaico colorido criado pelas sombrinhas e guarda-chuvas. Das pessoas encolhidas em suas roupas pesadas no frio. Dos namorados que se encontram carinhosamente depois de um dia de trabalho e planejam uma noite amorosa. Da garota que começa a marcar seu programa na esquina. 
As lanternas dos carros lentamente traçam um riscado vermelho e branco na noite da cidade. Motoristas encaram o trânsito confuso e lento com paciência, pois sabem que este é o último obstáculo a vencer em um dia que teve muitos. O passageiro que está espremido dentro de um ônibus sabe que logo estará no aconchego da sua família.
Da janela, marido e mulher observam o movimento da rua. A vizinha larga seus afazeres para conversar com a comadre. Em algum lugar, alguém está sentado em frente de casa observando as pessoas passarem enquanto os últimos raios de sol perdem força atrás da montanha. Mas as cores bonitas do pôr do sol no horizonte também trazem melancolia, nostalgia, lembranças de algo ou alguém, de algum tempo que foi engolido pelo tempo.
É o fim de um ciclo. É um dia, que também cansado, se recolhe para renascer. Amanhã cedinho ele vai nos acordar com seus raios de sol entrando pelas frestas da janela do quarto. Será um lindo dia com um belo final de tarde. Basta saber apreciá-lo.


10/06/2015 - 17h36 - Atualizado em 10/10/2015 - 17h37

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