sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Ironias do destino (2) - a chegada dos chineses

Sede da CPFL Energia em Campinas
No post Ironias do destino (leia aqui) comentei sobre a vinda do supermercado Sonda para Campinas (SP) e minha relação com ele na infância/adolescência. Também comentei sobre a energia elétrica consumida em Barão de Cotegipe e boa parte do Rio Grande do Sul, cuja empresa responsável, a CPFL Energia, é aqui de Campinas.

Pois bem, agora quem comanda a energia consumida em Cotegipe são os chineses. A State Grid, a maior empresa do setor elétrico do mundo, concluiu em janeiro a aquisição de 54,64% de participação acionária da CPFL Energia e será o acionista controlador. O valor da operação foi de aproximadamente R$ 14 bilhões. 

Ou seja, os chineses chegaram com tudo e mesmo a pequena Barão de Cotegipe tem sua principal fonte de energia sob controle deles. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Documentário em produção por cotegipense vai expor a realidade da vaca sagrada na Índia


Kalislei Rosinski e o cineasta Shubhranshu fazem campanha na internet para arrecadar fundos e concluir o filme que mostra a obsessão do indiano por leite

A cotegipense Kalislei Rosinski na Índia
Divulgação/Facebook







A  jornalista e professora de yoga Kalislei Rosinski extrapolou os limites de sua terral natal, Barão de Cotegipe (RS), e há três anos mora na Índia, onde se lançou numa empreitada ousada. Ela e o cineasta indiano Shubhranshu se uniram para produzir o documentário The Holy Cow – Truth Begind India’s Milk Obsession (A Vaca Sagrada – A verdade Atrás da Obsessão Indiana pelo Leite), que  pretende revelar como as vacas sofrem para que o costume de consumir leite seja mantido no naquele país.

Grande parte da população da Índia não come carne de vaca pois a considera um animal sagrado, mas o consumo de leite é altíssimo. Em contrapartida, o número de vacas que sofrem maus-tratos pelas ruas é "assustador", segundo Kalislei, além da grande quantidade de abatedouros clandestinos. Os gases emitidos pelos animais também são altamente nocivos para o meio ambiente. O país tem 1,2 bilhão de habitantes, seis vezes mais gente do que há no Brasil. 

                                          Clique e veja o vídeo da campanha 
Para conseguir gravar o filme, Kali e Shubhranshu estão fazendo uma campanha no site de financiamento coletivo Indiegogo  (clique aqui) pedindo US$ 7 mil (cerca de R$ 22.500,00). O dinheiro servirá para comprar equipamentos de vídeo e áudio, pesquisas, viagens e para a pós-produção. É possível fazer as contribuições por meio de um cartão de crédito internacional ou então entrar em contato com Kalislei pelo e-mail kalirosinski@gmail.com. 
Leia a seguir um bate-papo com Kalislei:

- Como vai ser interferir em algo tão sagrado para a cultura e religião hindu?
Kalislei Rosinski - Nós iremos tocar em algo muito delicado, visto que o uso do leite e seus derivados está muito presente nos hábitos diários dos indianos. Além de usar em sua alimentação diária, eles também usam em cosméticos, medicina e na sua adoração e rituais. Como eles adoram a vaca, acreditam que tudo que vem dela é sagrado, inclusive a sua urina, que é usada como medicina. Nós acreditamos que esse choque de consciência é necessário, pois se para um país como o Brasil ainda falta muito esclarecimento nesse assunto, na Índia, muito mais. Nós iremos tocar em um assunto muito delicado, e acreditamos que após o lançamento do filme, poderemos ter críticas e oposição. Porém, o que será mostrado é a realidade, e também acreditamos que teremos o apoio de muitos que irão abrir os olhos para a triste realidade que a maioria faz questão de ignorar.
Existe muita oposição a matadouros aqui, inclusive muitos hindus ortodoxos quando descobrem algum caminhão camuflado levando vacas à matadouros, acabam agredindo e muitas vezes matando os condutores. Porém, eles ainda não conseguem relacionar o seu consumo de leite e derivados com a matança da sua “mãe vaca”.


- Já encontraram algum tipo oposição? 
Por enquanto não encontramos nenhum tipo de oposição. As pessoas em geral estão sendo receptivas e abertas a conversar sobre o assunto. Porém, falar em matadouros ainda é um pouco perigoso, a maioria dos hindus não sabe da existência, pois a maioria é ilegal. O nosso desafio agora será entrar lá com uma câmera espiã.
 
Vacas em rua da Índia: abandono / Divulgação


- Como está a arrecadação de fundos. Quanto vocês vão precisar?
A arrecadação está um pouco lenta, mais que nós esperávamos. A nossa campanha no crowdfunding está estimada em 7 mil dólares. Optamos por um valor baixo pois esse documentário não visa nenhum lucro pessoal, nós estamos trabalhando nele apenas pela causa animal e ambiental em relação ao veganismo.

- Há quanto tempo você está na Índia, em que lugar ou cidade exatamente?
Eu estou morando na Índia há quase três anos. Nesse momento estou morando em Delhi, a capital do país devido ao projeto do documentário e as filmagens. Porém, já morei em Rishikesh, Manali, Surat e outros pequenos vilarejos.

Kalislei em posição de yoga/Facebook


- Voce está se mantendo como professora de ioga?
Fiz muito trabalho voluntário e morei em muitos ashrams, que eram de graça ou doação, o que transformou o meu custo de vida muito baixo. No início tinha um pouco de dinheiro que eu havia economizado, depois enviei produtos indianos para vender no Brasil. Após a minha formação como professora de yoga, é como venho me mantendo, além, claro da ajuda da minha família quando preciso.

- Você está fazendo algum outro estudo?
Todos os meus estudos na Índia foram voltados ao yoga, meditação, reiki, ayurveda, veganismo e meio ambiente.


- Porque esta paixão pela Índia?
Minha paixão pela Índia é antiga. Desde que eu era criança ou adolescente tinha uma fascinação por esse país sem mesmo entender direito o porque, e nem conhecer muito sobre. Talvez pelo misticismo, cultura e tradições. Com o tempo, essa paixão foi amadurecendo enquanto eu aprendia mais sobre esse país. Quando me tornei vegetariana, há 11 anos, e descobri que a Índia tem a maior população de vegetarianos do mundo, aquilo me encantou ainda mais. Eu pensava que aqui era o paraíso para os veganos e os animais. Após alguns anos comecei a meditar e comecei meus primeiros contatos com o yoga, ambos originários na Índia. E aos poucos minha paixão se transformou em amor. 
Claro que nem tudo foi mágico como eu esperava, principalmente após estar morando aqui,. Vi que a realidade dos animais era bem diferente da minha idealização, e por isso surgiu a ideia do documentário.


Kalislei contempla uma das belas paisagens da Índia/Facebook



quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Era uma vez um Verão






























Lá vem o Verão, com seu calor, amor e prazeres. Uma das estações mais esperadas e festejadas por todos. Sinônimo de Natal, Ano Novo, férias, fim de aulas, banho de mar, de rio, de cachoeira, sorvete, bebidas, praia lotada, viagens, congestionamentos e muita gente por todos os lados. É a loucura provocada pelo sol da estação. 

No entanto, longe de tudo isso, vem uma lembrança totalmente diferente: eu, meu pai e minha mãe sentados em cadeiras de palha na calçada em frente à casa deles, na pacata cidade de Barão de Cotegipe. Era final de tarde e a lua já surgia no céu antes mesmo dos últimos raios de sol se esconderem atrás da montanha do tio Gottardo. O calor escaldante do dia era varrido pelo frescor da brisa noturna. 



Era um momento mágico, com as estrelas nascendo no horizonte, clima suave, casais, crianças, caminhando despreocupadamente pelas ruas, aproveitando o agradável início da noite, sem pressa. Amigos e vizinhos paravam para conversar e tomar um chimarrão. Depois, seguiam seu rumo. No ar, o cheiro de comida saborosa que saia das casas. 

Nós três, sentados, conversando sobre tudo e nada. Apenas desfrutando de uma harmonia com a natureza, com o clima e com as pessoas. A impressão que eu tinha era de que a transposição do dia para a noite era muito lenta, dando tempo de absorver todos os ingredientes pairados no ar. Os vaga-lumes surgiam do nada, iluminados por suas lanternas verdes, num bailado desprovido de coreografia. Em determinada hora, meu pai apontava para o céu para mostrar o Cruzeiro do Sul e os satélites que cruzavam por entre as estrelas, rumo ao infinito. Eu acredito que eram satélites. 

Quando volto para esse lugar ainda fico encantado com aquele céu tão perto e tão estrelado. E à noite, o silêncio eloquente só é quebrado pelo barulho do único ônibus que passa na madrugada em direção à capital. Fora isso, na calma noturna dá até para ouvir a raposa roubando uva do parreiral.

Esse lugar ainda existe, menos a histórica casa onde meus pai viviam. É uma daquelas lembranças que fica gravada em um canto especial da memória. Faz parte de um momento simples, mas preenchido de muitos sentimentos. E de estrelas. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Ironias do destino

Inauguração da primeira loja do grupo Sonda, em 1974, na Rua Torres Gonçalves,
em Erechim 

Coisa loca este destino. Que eu lembre, minha primeira compra em um supermercado, lá pela década de 70, foi no recém-inaugurado Supermercado Sonda, no centro de Erechim. Na época, uma coisa grandiosa diante dos pequenos mercados e armazéns que existiam em Cotegipe. Impressionava a grande quantidade de mercadorias nas gôndolas e o fato de você entrar, escolher os produtos, colocar no carrinho e pagar no caixa. Ah, e tinha um auxiliar que empacotava as compras. Lembro que durante muitos anos acompanhei minha mãe nas compras no Sonda.

O tempo passou, o Sonda migrou para São Paulo, e, décadas depois, não é que voltei a fazer compras no supermercado Sonda? Só que aqui em Campinas, interior de São Paulo, a mil quilômetros de distância de Erechim. Os proprietários da rede já não são mais os mesmos, mas a marca está lá - Sonda. É difícil não fazer uma ligação com o passado, com Erechim e Cotegipe. É aquela velha história. Ironia do destino.

O supermercado Sonda me lembrou outra relação, desta vez com a energia elétrica. Quando criança, lembro que a energia elétrica que abastecia Cotegipe vinha da pequena usina montada em uma represa em Ponte Preta. Por muitas vezes fui com meu pai, o padre Polon, o sr. Polon, Valdirão, De Ré, Rosa e outros senhores que não lembro o nome, fazer algum tipo de conserto na usina, ou então simplesmente para passar o final de semana pescando.

Era uma aventura, pois íamos no velho Fordinho da paróquia e outras camionetes rurais. Depois, a energia da usina foi substituída pela CEEE (estadual) que virou RGE e que acabou comprada pela CPFL Energia. Outra ironia do destino. A CPFL Energia foi fundada e tem sede em Campinas, onde moro. Ou seja, a CPFL controla toda a energia que é consumida em Erechim, Cotegipe e demais cidades da região. Coisas do destino.



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